O ABISMO DA QUANTIDADE As pessoas estão assombradas diante do surgimento de milhares de blogs. Muitas não entendem o fenômeno e outras simplesmente não o aceitam. Os mais cépticos acreditam que estamos diante do "abismo da quantidade" e que doravante será um problema utilizar a Internet para se informar. Com alguma razão consideram que a quantidade sem qualidade é um perigo. Será mesmo? Há uma década somente podíamos nos informar através dos jornais e das revistas. Estávamos então mergulhados no "abismo da qualidade". Qualquer que fosse o veículo de comunicação que escolhêssemos o mesmo seria unidirecional, ou seja, feito por pessoas que não conhecíamos com propósitos ignorados. O “abismo da qualidade” foi um problema muito maior para a humanidade do que está sendo o “abismo da quantidade”. Se no passado alguém tinha o poder de selecionar o que iríamos ler, agora podemos decidir por nós mesmos o que ler, como interpretar e podemos interagir. No passado, quanto mais confiáveis eram considerados veículos de informação, mais manipuladores podiam ser os jornalistas e editores. A época de ouro dos veículos de comunicação unidirecionais foi a primeira metade do século XX. Seu apogeu ocorreu, sem dúvida alguma, durante o regime nazista em que o senhor Goebels admitia publicamente que a "verdade é uma mentira repetida várias vezes". Agora que a multiplicidade de fontes é imensa e a possibilidade de interação uma realidade, mesmo que uma mentira seja repetida várias vezes ela nunca se transformará em verdade porque temos a oportunidade de refutá-la. A liberdade de imprensa já foi instrumento para a doutrinação. Atualmente, mais do que liberdade de imprensa, nós temos liberdade de consciência e participação, o que é muito melhor. Se alguém discordar disto é porque pretende manipular seus leitores.
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