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AMEAÇA INVISÍVEL Estreou recentemente nos cinemas o filme AMEAÇA INVISÍVEL. A propósito de problematizar a interação ou a substituição do homem pela máquina o filme parte de alguns pressupostos políticos atuais e bastante delicados. Quem prestar atenção ao aspecto mais evidente do enredo e aos efeitos especiais irá desconsiderar a verdadeira ameaça invisível que o filme representa. Afinal, ele é uma excelente peça de propaganda da doutrina Bush. Todos os elementos da nova doutrina militar americana estão presentes na trama:- 1º o auto-atribuído direito dos EUA de atacar preventivamente quem quer que seja em qualquer ponto do planeta para defender seus próprios interesses; 2º o terrorismo de Estado para fazer frente ao inconformismo ou à dissidência; 3º o desprezo pelo Direito Internacional e pela soberania das outras nações cujos espaços aéreos são violados; 4º a política internacional fundamentada no princípio atirar primeiro e perguntar depois. Trata-se de um filme ideologicamente perigoso e, sem dúvida alguma, racista. Apesar de suas diferenças três pilotos combatem como se fossem iguais. O grupo é liderado por um piloto branco, um típico anglo-americano de olhos claros. O coadjuvante negro morre num combate aéreo. A mulher branca que pilota o terceiro avião é abatida, salva e conquistada pelo anglo-americano superior. Se não estivessem mortos, Hitler e Goebels aplaudiriam a solução sutil encontrada pelos roteiristas do filme para coroar a supremacia racial do homem branco. Coerente com a tese alimentada na Casa Branca e no Pentágono, o filme pressupõe que os pilotos americanos podem atingir qualquer alvo em qualquer local do planeta. Isto é possível porque podem reabastecer no ar utilizando dirigíveis tanques que sobrevoam todos os continentes. Um destes postos aéreos de reabastecimento está claramente sobre o Brasil, como se nosso espaço aéreo fosse deles. A cooperação estreita entre os produtores e a marinha americana não deixa dúvidas de que há bem mais do que ficção no filme. A propósito, há um diálogo em que os personagens debatem acerca das possibilidades futuras da ficção, dando a entender que as propostas tecnológicas e políticas de AMEAÇA INVISÍVEL podem se tornar realidade. E assim a indústria cinematográfica parece ter se unido às forças armadas americanas para fomentar novas guerras de conquistas num futuro bem próximo. Quem viver assistirá às novas trapalhadas militares americanas.
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