REVISTA CRIAÇÃO

ANTI-AMERICANISMOS E OUTROS ISMOS

Resposta ao ilustre desconhecido.


A crítica feita ao anti-americanismo no CMI não resiste a seis parágrafos.

O cara, vou chamá-lo de cara porque não teve a decência de se identificar, questiona o anti-americanismo de direita e de esquerda como se ambos fossem idênticos. Não são não.

Originalmente, a esquerda marxista, que data do século XIX, sempre foi internacionalista e afirmou que a construção do estado nacional não passou de um artifício da direita para prender dentro de um território as populações a fim de melhor explorá-las e tributá-las. A esquerda anárquica nem mesmo reconhece estruturas políticas como o Estado, o qual a esquerda leninista passou a adorar após a revolução russa.

O nacionalismo contemporâneo foi uma construção burguesa. A inexistência de fronteiras definidas, a coexistência de diversas etnias e línguas e a ausência de regimes jurídicos estáveis em vastas porções territoriais dificultavam os negócios. Assim, para maximizar seus lucros os comerciantes e empresários deram um jeito de criar uma homogeneidade cultural e lingüísticas das populações européias, delimitar fronteiras e, sobretudo, criar sistemas jurídicos estáveis em vastos territórios.

Em razão do que já foi dito, podemos concluir que o anti-americanismo de esquerda é uma rejeição do nacionalismo na sua versão americana. O anti-americanismo de direita, por sua vez, é puro chauvinismo ou afirmação de outro nacionalismo em face do cultuado pelos americanos.

A ambição imperial do governo americano é evidente desde o século XIX. Sua primeira manifestação foi a doutrina Monroe e a guerra hispano-americana. Desde então os americanos nunca deixaram de exortar seu direito manifesto de governar outros povos. Não poucas foram as vezes que impuseram sua vontade pela força das armas fora de suas fronteiras (Coréia, Vietnan, Granada, Panamá, Somália, Afeganistão, Iraque só para citar alguns exemplos). A atual doutrina Bush de ataques preventivos consolidou a infeliz idéia de que o mundo é um quintal americano.

Não sou adepto do nacionalismo, porque o considero uma criação artificial. Entretanto, não pretendo ser cidadão de segunda categoria do império americano global. Meu anti-americanismo é antes de tudo uma afirmação de meu direito a definir quais serão minhas vinculações lingüísticas, culturais, sociológicas e territoriais. Nesse sentido, não posso ser colocado no mesmo saco dos anti-americanos de direita.

Fábio de Oliveira Ribeiro

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