REVISTA CRIAÇÃO
O AVIADOR

Finalmente podemos dizer que Leonardo Di Caprio é realmente um grande ator. Sua atuação em O AVIADOR foi irrepreensível. A evolução da patologia mental de sua personagem ao longo do filme foi representada de maneira tocante. É impossível deixar de sentir alguma empatia pelo milionário obcecado por velocidade e tecnologia em razão do seu cruel destino.

O filme impressiona mais em razão da refinada crítica que faz à Guerra ao Terror da administração Bush, do que pelas seqüências com aviões que parecerem reais. Para entender a crítica é preciso prestar atenção à maneira como o Estado é usado para perseguir a personagem central em benefício da PANAN e no depoimento do aviador perante a Comissão Parlamentar de Inquérito.

É claro que o filme não esconde os podres da companhia de aviação do milionário, que se beneficiou de empréstimos públicos durante a II Guerra sem fornecer a USAF os aviões encomendados. Entretanto, as dezenas de milhões de dólares abocanhados pelo aviador são insignificantes diante da magnitude do rombo feito por outras empresas contratadas para fornecer material bélico ao US Army . Empresas que também lesaram o contribuinte americano e ficaram impunes.

O paralelo entre este rombo e o que pode estar ocorrendo neste exato momento é evidente. Afinal, os 6 bilhões de dólares abocanhados indevidamente por alguns empresários na década de 1940, equivalem a quase 200 bilhões de dólares em moeda de hoje. A grande indagação que o filme sugere é a seguinte: quantos bilhões de dólares do trilionário orçamento militar da administração Bush estão sendo desviados durante a Guerra ao Terror?

É claro que nenhum brasileiro tem legitimidade ou informações para estimar a magnitude do prejuízo que está sendo dado aos contribuintes americanos por Bush. Entretanto, temos toda a legitimidade do mundo para evitar que nosso país cometa o equívoco de aliar-se aos americanos nesta suposta guerra que vai enriquecer ainda mais algumas famílias americanas. Dentre elas a de Bush, cujo pai é um dos “mercadores da morte”, ou melhor, diretor e acionista de uma empresar que fornece armas para o US Army.

Sem dúvida alguma O AVIADOR merecia o Oscar de melhor filme e de melhor Diretor. Mas é claro que não poderia abocanhar estas estatuetas. Scorcese criticou de forma ácida à suposta excepcionalidade americana. Mostrou que os heróis, políticos, empresários e militares americanos estão atolados em corrupção como seus colegas de outros paises e não poderia ficar impune. Não ganhou a estatueta, mas entrará para a história em razão de sua honestidade.


Fábio de Oliveira Ribeiro

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