BRASIL:
CAPITALISMO SEM RISCO,
MEDIOCRICADE SEM CULPA
Uma parcela significativa
da mídia tupiniquim está apavorada com a recessão
provocada nos EUA em virtude da crise dos títulos imobiliários
ter contaminado a economia real. Os jornalistas e especialistas dizem
que haverá conseqüências nefastas para a economia
brasileira. Poucos se dão conta que nossos problemas mais graves
são bem outros.
O “capitalismo cartorial” no Brasil é um fato.
Remonta ao tempo em o regente D. João fugido aqui chegou com
15.000 nobres vagabundos em 1808. Desde então o Estado brasileiro
vem arrumando a vida de alguns e transferindo a conta para muitos.
Nesse nosso capitalismo em que a poupança privada é
escassa ou transferida para o exterior e os capitalistas genuínos
muito raros, o sucesso depende de o empresário ser amigo do
Rei, do Presidente, do Governador, do Prefeito, etc. Os contribuintes
não são considerados amigos de ninguém, muito
embora sejam obrigados a recolher aos cofres públicos quase
40% de tudo que ganham. Como a instituição ou salvação
de empresas com dinheiros públicos é uma triste realidade,
a corrupção é uma respeitável instituição
nacional que se pratica à direita e à esquerda.
Apesar do verniz de modernidade, o atual governo não parece
imune à esta tradição. Emprestou mais de 1 bilhão
de reais para uma subsidiária da Globo em situação
falimentar (se o critério não fosse político,
mas capitalista, a Globosat teria falido). A revista Carta Capital
desta semana traz uma matéria bastante interessante sobre as
iniciativas da União para fomentar a criação
de uma empresa de telefonia com faturamento previsto de 20 bilhões
ano sem que os capitalistas coloquem 1 centavo na constituição
da mesma (http://www.cartacapital.com.br/edicoes/479/os-novos-baroes).
No primeiro governo o PT naufragou na corrupção. No
segundo aderiu à mais perversa forma de transferência
de recursos públicos para a iniciativa privada (se é
que podemos chamar de “iniciativa privada” o fato do sujeito
constituir uma empresa sem arriscar seu patrimônio pessoal).
A única saída para os brasileiros é deixar de
ser brasileiros. Não dá mais para ficar neste país.
A direita escrota, cartorial e corrupta foi substituída por
uma esquerda desonesta e igualmente cartorial e corrompida.
O Brasil não tem futuro, porque nossa história é
maculada pela presentificação constante de uma patológica
transferência de responsabilidade. Os militantes de esquerda
atribuem a culpa do insucesso brasileiro ao imperialismo americano.
A direita cartorial eternamente no poder (pois a esquerda ao chegar
ao Planalto Central também transformou em direita cartorial)
culpa os americanos por causa da recessão que provocaram. Não
temos culpa alguma ao preservar nossa tradicional mediocridade pública
e privada.
A propósito, também me sinto tentado a terceirizar a
culpa. Nos idos de 1808, quando a frota inglesa estava no litoral
de Portugal, o almirante Sidnei Smith tinha duas ordens: trazer D.
João “bundão” e a corte portuguesa para
o Brasil; caso o Rei e seu séqüito se rendesse à
Napoleão, os ingleses deveriam afundar a frota portuguesa e
bombardear Lisboa com todo poder de fogo disponível. Sendo
assim, se os ingleses tivessem bombardeado Lisboa ao invés
de para cá trazer D. João “bundão”
talvez cá as coisas fossem diferentes.
Fábio de
Oliveira Ribeiro