CHARGES E PEIDOS
Por Fábio de Oliveira Ribeiro 11/02/2006 às 21:01
Judeus e mulçumanos não são diferentes, pois
reagiram da mesma maneira a uma
ofensa aparentemente insignificante.
Muita gente está dizendo por aí que a reação
dos mulçumanos à charge é prova
da irracionalidade do islamismo ou da particular barbárie dos
povos árabes.
Conheço suficientemente história para assegurar-lhes
que é evidente que as
charges foram apenas um estopim.
Na verdade os mulçumanos estão fartos de sofrer interferências
coloniais
européias desde o século XIX e resolveram aproveitar
a oportunidade criada
pelas charges para se manifestar. Qualquer povo que se sinta invadido
territorialmente e ofendido religiosamente se comporta da mesma maneira.
A revolta judaica de 70 dC, que acabou causando uma das maiores carnificinas
da história, a destruição do Templo e a Diáspora,
foi desencadeada por um
peido que um soldado romano soltou durante uma celebração
religiosa em Jerusalém. É evidente que o peido não
foi a causa real da rebelião, mas apenas a espoleta que a desencadeou.
Os judeus estavam cansados da dominação romana desde
30 aC e sonhavam em recuperar a dignidade e a independência
perdidas desde a vitória de Pompeu.
As charges desempenharam para os mulçumanos o mesmo que o
peido para os
judeus. Se vasculhar a história do cristianismo, do budismo,
do hinduismo e
do protestantismo, certamente você encontrará situações
semelhantes.
Portanto, não condene os mulçumanos. Quando os americanos
e europeus forem
embora do Oriente Médio, poderão publicar impunemente
as charges que
quiserem.
Fábio de Oliveira Ribeiro