REVISTA CRIAÇÃO

A COBRA FUMOU

As charges do Profeta colocaram em risco a globalização!

O que é isto companheiro? Você está sugerindo que a Europa branca, cristã, tolerante, civilizada e moderna é incapaz de conviver com as idiossincrasias da globalização? Que será da mesma então?

Há duas décadas os europeus se recusam a sujar as mãos de graxa, óleo e cimento porque os operários árabes e africanos estão disponíveis a um preço barato. Mas agora o preço se tornou caro porque eles também querem ser tratados como seres humanos.

Pobre Europa! Odeia tudo que não seja branco, cristão e moderno, mas mantém suas engrenagens funcionando à custa de árabes e africanos. Não pode incluí-los nem se livrar deles.

Por pura idiotia, os jornais europeus provocaram uma comunidade que há séculos está cansada de sofrer interferências coloniais e a verter o óleo negro que mantém rodando o Velho Mundo. Agora estão assustados em razão da reação que tinham condições de prever e evitar, mas deliberadamente provocaram.

Que pena! Os europeus estão assustados. Acusam os árabes e mulçumanos de intolerantes e se esquecem que foi a Europa branca, cristã e civilizada que concebeu as teorias racistas e que o racismo é a mais poderosa forma de intolerância. Como estamos distantes do conflito e não o provocamos, precisamos suspeitar de qualquer acusação de intolerância religiosa feita pelos europeus. Afinal, muitos são reservadamente racistas e, portanto, brutalmente intolerantes.

Dilema interessante este provocado pela pilhéria que virou crise. O incidente coloca na ordem do dia a globalização. Esta globalização patrocinada apenas em favor de europeus e americanos. Será que eles não percebem que os outros povos também querem ganhar com a globalização? Que a globalização exige o respeito pelas outras culturas e religiões?

A cobra européia fumou. Esperemos para ver se ela vai engolir ou soltar a fumaça.


Fábio de Oliveira Ribeiro

Ps:- Tive a oportunidade de ver as referidas charges num website português. Além de ofensivas, as charges são ridículas. O traço é infantil, a capacidade de comunicar idéias por meio destes é nulo e o humor é inexistente. A propósito, nunca é demais lembrar que o efeito humorístico requintado é conseguido através do escárnio dos próprios defeitos (neste caso a incapacidade do europeu de conviver com o islamismo e sem os operários e o petróleo árabes). Tudo bem considerado, creio que os chargistas políticos brasileiros (Glauco, Laerte e Angeli) deveriam dar aulas aos colegas europeus.

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