REVISTA CRIAÇÃO

CREDULIDADE E POLÍTICA

Apesar de sermos animais-racionais, às vezes nossa porção animal domina a nossa racionalidade de tal forma que somos vítimas do “efeito manada” e em razão disto corremos cegamente atrás de líderes como Savanarola, Paulo Maluf, Getulio Vargas, Hugo Chávez, o casal Hernandes da Renascer, etc. Mas algumas vezes é nossa racionalidade que nos trai e acabamos bestialmente ligados a carniceiros como Hitler, Mussolini, Stalin e outros. A credulidade é um fenômeno tipicamente humano. Tem sua origem em nossas debilidades emocionais e fragilidades intelectuais.

Os deputados não gastam muito. Gastam o quando acreditamos que eles merecem gastar ou simplesmente esbanjam tanto quanto desejam porque não fazemos nada para impedi-los. O mesmo se aplica aos Desembargadores, que se auto-atribuem salários e aposentadorias de 100 mínimos mês, enquanto 50% da população (90 milhões de brasileiros) recebe 12 mínimos ou menos por ano.

A remuneração dos parlamentares não é um fenômeno novo. Começo na cidade de Atenas, por obra de Péricles. A mistoforia ((do grego “misthoforía”) foi originalmente criada para possibilitar que as pessoas pobres participassem das atividades públicas (legislativas, executivas e judiciárias) sem prejuízo de seus próprios rendimentos. Vivemos num tempo em que as atividades públicas se especializaram de tal forma, que os deputados, prefeitos, governadores, juizes, desembargadores, se esqueceram que as atividades públicas competem a todos e o que eles recebem deveria ser algo entre a mistoforia e as gordas quantias que abocanham através de salários e aposentadorias.

Nossa credulidade é que permite aos servidores públicos fazer o que bem entendem com o que é nosso. Pagamos os impostos, portanto, somos os legítimos co-proprietários do Estado e dos recursos que o mesmo administra. Se NOSSOS recursos têm sido administrados em benefício de legisladores e juizes espertalhões, precisamos colocar o dedo no nariz deles e dizer-lhes: BASTA!

Numa república a sociedade pode e deve pressionar seus empregados (prefeitos, governadores, legisladores, militares e juizes) a fixar salários modestos e a usar os recursos da melhor forma em benefício da coletividade. Em razão do princípio fundamental do regime republicano (TODO PODER EMANA DO POVO), os servidores públicos devem se curvar à pressão dos cidadãos.

Se não pudermos pressionar nossos empregados ou os mesmos estiverem em condições de ignorar confortavelmente a pressão popular, então não vivemos numa república. Numa república o Estado não é e não pode ser propriedade dos servidores públicos. E sendo este o caso a única solução para o conflito entre os servidores e os cidadãos/contribuintes é violenta em prejuízo de todos.


Fábio de Oliveira Ribeiro

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