CRISE
BRASIL/BOLÍVIA Qualquer país que tenha interesses fora de suas fronteiras está sujeito a mudanças no cenário político e social que são alheios à sua vontade e fogem ao seu controle. Não foi diferente com o Brasil em relação a Bolívia. Ninguém questiona o direito dos bolivianos de decidir como empregarão seus recursos naturais. Entretanto, o Brasil investiu bilhões de dólares na Bolívia e, sem dúvida alguma, tem direito a ser indenizado. A utilização do exército boliviano para invadir propriedade brasileira era desnecessária. Esta medida foi deselegante e exige uma resposta a adequada. Dentre as medidas que o Brasil pode adotardestacam-se as seguintes:- a) suspensão de todo comércio bilateral; b) congelamento de bens da Bolívia no Brasil; c) proibição da entrada de turistas bolivianos no país; d) encerramento temporário das relações diplomáticas; e) ajuizamento de ação contra a Bolívia na OEA e na Corte Internacional de Justiça da ONU. Em razão do princípio da reciprocidade, amplamente admitido pelo Direito Internacional, a adoção de uma ou mais destas medidas não pode ser considerada injusta pela comunidade internacional. A decisão unilateral da Bolívia afeta interesses brasileiros que eram garantidos através de contrato anterior. Portanto, o Brasil está autorizado a adotar as contra medidas que julgar adequadas. Está mais do que na hora de Lula deixar de considerar Evo Morales amigo e a Bolívia uma parceira estratégica. O Presidente da Bolívia não tratou os brasileiros como amigos, nem o Brasil como parceiro. Além disto, foi deselegante e inamistoso ao empregar o exército boliviano para invadir propriedade brasileira.
1) Em se tratando de política internacional não temos amigos, temos parceiros que também levam em consideração nossos interesses e adversários que os desprezam; 2) A dependência do gás da Bolívia foi um erro. Nosso país deve imediatamente diversificar seus fornecedores de gás para não correr o risco de desabastecimento caso tenha que endurecer com algum deles. Apesar da provocação dos militares bolivianos, a militarização do conflito é desnecessária porque traria conseqüências terríveis para os dois países. Não queremos e não precisamos de uma Guerra na América Latina. Mas isto não quer dizer que o Brasil deve apenas ceder às pressões de seus visinhos. Nesse sentido, a crise da Bolívia exige que o Brasil suspenda imediatamente a compra de gás daquele país. Evo Morales deixou bem claro que as jazidas de gás da Bolívia são bolivianas. Assim, o que a Bolívia fará com o excedente do produto não vendido ao Brasil também é assunto boliviano. Caso ocorra a redução do preço do metro cúbico do gás boliviano em razão da suspensão de compra do produto pelo Brasil os bolivianos terão a oportunidade de repensar sua estratégia.
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