CUPULA FALHOU, FELIZMENTE
A Cúpula Mundial da Sociedade da Informação foi
um fracasso. Só serviu para
demonstrar as divergências entre os três principais grupos
que se formaram
durante o evento. Os paises ricos, subdesenvolvidos e ONGs não
conseguiram
se entender porque, felizmente, cada qual vê a Internet à
sua própria
maneira.
EUA, China, Brasil e Índia acabaram realizando um acordo de
surdos. Como não
conseguiram convencer cada um dos demais participantes de que suas
propostas
eram viáveis, estes paises resolveram deixar tudo como está.
Pelo menos por
algum tempo o espectro de censura ideológica que pairava sobre
a Internet
foi afastado.
A CMSI criou um organismo para discutir questões como crimes
virtuais,
disseminação de vírus e spans. Entretanto, muito
bit ainda vai rolar entre
os links até que estas discussões resultem em acordos
e convenções
internacionais que disciplinem a repressão das atividades no
submundo "on
line".
A ICANN continuará sob o controle dos EUA. Bush não
abriu mão da hegemonia
americana sobre a mesma. Ninguém estranhou o comportamento
do presidente
americano. Ele já deu provas suficientes de que sua política
externa
despreza o multilateralismo.
Alguns paises ainda mantém vivas suas esperanças de
criar uma instituição
mundial que supervisione (para não dizer, censure) as atividades
"on line".
Neste bloco estão Brasil, Índia, China e países
da União Européia.
Curiosamente, aqueles que acusaram os EUA de unilateralistas deram
provas de
que pretendem controlar de alguma forma os usuários da Internet
em seus
próprios paises.
É interessante a controvérsia entre EUA e o bloco composto
pelo Brasil,
Índia, China e UE. Os americanos controlam a ICANN e não
tem medo de
dissidentes e críticos. Os demais não aceitam o controle
americano da ICANN
mas parecem temer seus próprios cidadãos. Ignorados
na disputa os usuários
agradecem e seguem fazendo da Internet um espaço aberto e democrático.
Há quem diga que "...os governantes contemporâneos
ainda não se deram conta
que estão lidando com um fenômeno totalmente diferente
das questões
tradicionais na diplomacia mundial."
(http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs/blogs.asp?id_blog=2)
Como sou menos otimista em relação aos governantes,
me pergunto se eles
compreendem alguma coisa além de seus próprios interesses
pessoais.
Entretanto, reconheço que nem tudo está perdido. Se
os tiranetes lutarem entre si por mais controle do mundo virtual eles
nunca se chegarão a um acordo.
Enquanto a disputa continuar seguiremos utilizando a Internet como
bem
entendermos.
Os governos podem utilizar a Internet, mas não devem em hipótese
alguma
domesticar todas as atividades "on line". A liberdade virtual
é essencial e
deve ser preservada a qualquer custo. Os Estados são mastodontes
ineficientes e, na maioria das vezes, repressores e vorazes por tributos.
Caso consigam de alguma
maneira dominar a Internet, a vida virtual se tornará cara
e incomoda, os dissidentes serão equiparados aos criminosos
comuns ou condenados por suspeita e julgados sem instrução
criminal.
Fábio de Oliveira Ribeiro