REVISTA CRIAÇÃO

AS DEFECADAS AMERICANAS E
AS FLATULÊNCIAS NORTE-COREANOS

A culpa do acidente é da EMBRAER. Se não tivesse dado ao seu avião o pomposo nome “Legacy” o gringo que o pilotava lembraria que estava no Brasil e que deveria respeitar o plano de vôo, as autoridades e as rotas aéreas brasileiras.

O legado da tragédia é bastante interessante. Nos tempos do “Imperialismo Sedutor” (descrito e analisado por Antonio Pedro Tota, Companhia das Letras, 2000), quando a maioria dos brasileiros conduzia carroças e canoas, a elite brasileira recebia embasbacada os pilotos americanos que aqui pousavam. Recebidos como se fossem artistas de cinema os gringos sentiam-se no céu. Daí para acreditarem que nosso céu é deles não demorou muito.

Os tempos mudaram, o Brasil se modernizou. Até exporta aviões de qualidade e sente-se no direito de tratar pilotos americanos como suspeitos.

Ninguém deve estranhar a reação dos prováveis responsáveis pela tragédia e de seus conterrâneos. Muitos norte-americanos sentem-se donos desta “terra brasilis” e acreditam que ainda merecem ser tratados como se fossem super-homens.

Por outro lado, a EMBRAER vem que poderia brasilizar o nome de seu “Legacy”. Em homenagem ao saudoso Lima Barreto, bem que o jatinho brazuca poderia ostentar um nome tupi (como Cunhambebe, Aimbere ou coisa que o valha). A nova propaganda mundial da companhia também poderia ser nos seguintes termos:

“A EMBRAER GARANTE A QUALIDADE DO AVIÃO E A ENTREGA DO MESMO POR UM PILOTO BRASILEIRO”.

A imprensa tupiniquim está pintando a Coréia do Norte como uma ameaça planetária. Padece de desinteresse e de ignorância militar. Só no planeta mídia qualquer país com bombas nucleares é uma ameaça global.

Espremida entre o Japão e a China, a Coréia do Norte pouco ou nada pode fazer senão ser a si mesma. Os EUA estão distantes dos mísseis norte-coreanos e a Coréia do Norte perigosamente próxima da Frota Americana no Pacífico. Além disto, o arsenal transportado pelos porta-aviões americanos certamente contam não com uma, mas com dezenas de bombas atômicas.

Mesmo que os norte-coreanos destruíssem a Frota Americana no Pacífico com uma arma nuclear, os norte-coreanos ainda estariam ao alcance dos intercontinentais americanos bem como da Frota Americana do Atlântico. Levaria apenas alguns dias para as embarcações norte-americanas estarem em condições de devastar a Coréia do Norte.

O pum nuclear norte-coreano não mudou em absolutamente nada a geopolítica militar. Apesar de tentar espalhar o terror para arrancar alguns dólares do Tio Sam, os norte-coreanos sabem disto. A despeito da propaganda alarmista cuidadosamente feita pela Casa Branca (que visa assegurar algumas cadeiras republicanas no Congresso), o governo Bush também sabe disto.

Só a mídia brasileira parece não se dar conta que os exageros do líder norte-coreano somente poderá ter uma conseqüência prática: dar munição para os democratas pacifistas, que desde 2001 estão encurralados entre os militares e os republicanos truculentos. A propósito, o que nos garante que a pum nuclear norte-coreano pouco tempo antes de uma eleição americana não tenha sido negociado?

Fábio de Oliveira Ribeiro

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