DIÁRIO
HACKER Se você acredita que hacker é um revolucionário mal encarado que vive num porão infecto, fuma maconha, bebe cerveja quente e come pizza fria enquanto invade websites está completamente enganado. Os hackers entrevistados por Dan Verton são jovens, sociáveis, bonitos, esportistas e, em geral, tem os mesmos problemas que outros adolescentes. A única diferença entre eles e os outros garotos é que quando se sentam diante de um computador ninguém é capaz de segura-los, nem mesmo os maiores especialistas em segurança. Para atingir seus objetivos são capazes de transformar milhares de computadores pessoais em zumbis, que serão utilizados quando quiserem desfechar um ataque do tipo “denial of service”. Neste exato momento seu computador pode estar sendo utilizado por eles sem que você saiba. Cuidado. A Internet é realmente insegura. O Pentágono e os principais sites militares dos EUA já foram invadidos. O Departamento de Justiça americano também. As páginas da Microsoft, da AOL e da Yahoo já foram derrubadas por garotos aparentemente normais. Seu filho pode ser um deles. Os prejuízos causados por ações hackers nos EUA já chegaram á casa dos milhões de dólares. Não demora atingirão a cifra dos bilhões. O Congresso Americano já aprovou uma lei para reprimir os crimes digitais. Entretanto, as invasões continuam, justificando uma severa atuação do FBI. Alguns garotos já cumprem pena. Outros estão proibidos de usar computadores pelo resto de suas vidas. O perigo de toda economia americana colapsar em razão de um ataque digital é real. O livro de Dan Verton tem o mérito de mostrar o cotidiano de alguns dos maiores hackers americanos. De revelar ao mundo a face oculta destes jovens especialistas em computadores. Eles não são apenas marginais. Também são fundamentais. Auxiliam as empresas e o governo dos EUA a corrigir as falhas nos seus sistemas de segurança. Vários acabam deixando o submundo “on line” para serem contratados por grandes empresas, agências governamentais e até militares. Eles até desenvolveram uma estranha ética, através da qual legitimam suas invasões. Desde que os dados dos usuários não sejam destruídos ou coletados para fins ilícitos as ações hacker são legítimas e até desejáveis. Elas ajudam as pessoas a se protegerem de ciber ataques que poderiam ser devastadores. É claro que a lei americana também reprime este tipo de comportamento, mas parece que os hackers adoram brincar de gato e rato com o FBI. O livro relata como ações consideradas inofensivas por hackers iniciantes acabam afetando seriamente a Internet e colocando em cheque a credibilidade de grandes corporações. No mundo “on line” ser experiente vale menos que ser persistente. Ao final da obra Dan Verton tenta estabelecer uma relação entre as contradições da adolescência e a conduta “on line” dos jovens hackers. Mérito para o autor, que procurou afastar-se do modelo criado pela mídia americana, que sempre procurou marginalizar e não entender estes garotos prodígios. Os adolescentes entrevistados por Dan Verton colocam em xeque uma das mais terríveis características deste admirável mundo novo. A segurança de que as informações que divulgamos acerca de nós mesmos serão utilizadas apenas para os fins a que se destinavam. É indiscutível que a Internet representa um novo estágio nas relações humanas. Mas como toda técnica humana ela também tem seus efeitos perversos. Como, por exemplo, os abusos que podem ser praticados pelos detentores de informações privilegiadas sobre os cidadãos e consumidores. Informações obtidas de maneira legítima por alguns agentes econômicos e utilizadas de maneira ilegítima por outros, que nunca serão considerados marginais apesar de se comportarem como verdadeiros hackers. Se você acessou esta página tenha certeza de que Diário Hacker – confissões de hackers adolescentes, Dan Verton, Berkeley, 2002, é uma leitura obrigatória. O livro contém vários erros de concordância e ortografia. Apesar disto é um valioso repositório de experiências e conclusões. Esperamos que a segunda edição seja revisada com mais atenção. Afinal, a obra é indispensável, pois jovens hackers brasileiros também já estão fazendo e acontecendo. Eles são mais temíveis e mais úteis que os terroristas árabes. Prepare-se para esta nova guerra. O novo front não é nas planícies desoladas do Iraque, mas aqui mesmo no Brasil. No computador ao lado pode ter alguém tentando atingi-lo. Defenda-se ou então... Fábio de Oliveira Ribeiro |