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ENFIM UMA REVISTA RELEVANTE
Os roubos de armamentos das Forças Armadas têm rendido uma ampla cobertura jornalística. Mas nem sempre a imprensa dá o enfoque adequado ao problema. A subtração de equipamento militar e o envolvimento de servidores militares com o tráfico não são apenas inovações no cardápio jornalístico-policial. As Forças Armadas tem por finalidade a defesa do Estado. A degradação da disciplina dentro das mesmas coloca em risco a existência e a integridade do Estado. Desde que minha casa foi invadida a pontapés em 1968, em virtude do golpe militar, tenho uma justificada aversão pelo militarismo e pelos militares. Sei que os militares que estão aí hoje não são os mesmos que se divertiram torturando vítimas indefesas. Mesmo assim, não os vejo com bons olhos porque afinal de contas eles nada fizeram para que seus colegas torturadores fossem devidamente processados e presos. Contudo, como cidadão que ajuda a custear a manutenção das armas da república muito me preocupa a degradação da disciplina nos quartéis. Foi em razão de uma notória propensão à indisciplina que vinha se manifestando desde o episódio em Aragarças que o golpe de 1964 foi deflagrado e encontrou apoio entre os anarquistas de farda. A disciplina nos quartéis é fundamental. A custódia das nossas armas é um dever dos servidores militares. Portanto, eles não podem e não devem permitir que as mesmas cheguem às mãos dos narcotraficantes. Viver num país injusto como o Brasil já é insuportável. Mas viver numa República do Tráfico seria um pouco pior. É por isto que tomo a liberdade de aplaudir a iniciativa da revista. Perto das outras, que tem se comportado como panfletos partidários ou catálogos de produtos, a Carta Capital ganhou mais importância e relevância ao tocar num assunto tão espinhoso de maneira tão abrangente. Segundo a matéria referida, os oficiais militares já admitem que a pobreza dos soldados, muitos dos quais vivem com suas famílias em favelas dominadas pelo tráfico, pode e tem sido explorada com sucesso pelos narcotraficantes. Quem sabe agora os jornalistas das outras revistas percebam que lutar contra a supressão do abismo entre ricos e pobres é, no mínimo, atentado contra a segurança nacional.
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