REVISTA CRIAÇÃO

ESQUERDA AMERICANA PROPAGA O MEDO

Já disse aqui mesmo na Internet, em duas oportunidades, que o uso de armas de destruição em massa no Irã é apenas um blefe e que a Casa Branca foi derrotada sem um tiro.

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/04/350785.shtml

http://www.pt.indymedia.org/ler.php?numero=74907&cidade=1

Discordo, portanto, daqueles que endossam a tese de que a Casa Branca realmente se prepara para fazer no Irã o mesmo que fez no Iraque: bombardeios, invasão e ocupação territorial.

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/05/353113.shtml

O controle que os americanos têm da situação política no Iraque é precário. Nem compensa as despesas que estão sendo feitas para manter operações militares naquele país. Muitos economistas americanos já perceberam que a relação custo/benefício da campanha no Iraque é um desastre. Não bastasse isto, o controle militar que o US Army tem daquele país também está bastante comprometido, porque a resistência iraquiana desgasta as tropas de ocupação através de ações de guerrilha urbana. Os iraquianos se recusam a dar trégua aos americanos ou a enfrentá-los num ataque frontal e decisivo, em que seriam massacrados.

As eleições americanas se aproximam e não há tempo nem para um ataque preventivo, nem para a supressão dos entraves diplomáticos à ação militar. A Casa Branca já deu provas que sabe que foi derrotada pelos iranianos na arena diplomática. Os discursos de Cheney sobre a Russia e de Condolezza Rice sobre a valorização do Conselho de Segurança indicam claramente que os militares americanos estão de mãos amarradas.

Nesse contexto, os vazamentos para a imprensa de que os EUA realmente estão se preparando para atacar o Irã visam apenas salvar a imagem de Bush II no plano interno. Afinal, o proto-imperador tem mantido seus índices de popularidade justamente em razão da agressividade no exterior. Caso saia enfraquecido do confronto diplomático com o Irã perderá o apoio de seus eleitores, ou seja, dos americanos de classe média nacionalistas, brancos e xenófobos.

Aqueles que acreditam na veracidade dos vazamentos, mesmo que estejam bem intencionados, ajudam a propagar o medo do ataque e a certeza dos eleitores de Bush II de que ele não foi derrotado pelos iranianos. A equação é simples: um Bush II vitorioso merece fazer o sucessor; o proto-imperador humilhado por um inimigo mais fraco teria que sair pela porta dos fundos da Casa Branca e se contentar com a derrota de seu candidato.

A exemplo da esquerda brasileira, a esquerda americana também está de miolo mole. Deveria tomar menos sol ou deixar de sonhar com cogumelos atômicos, que nem mesmo os militares americanos desejam.

Fábio de Oliveira Ribeiro

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