REVISTA CRIAÇÃO

A FARSA BUSHIANA


Tenho visto uma quantidade imensa de textos que alertam para o perigo real de uma guerra EUA/Irã. Não compartilho da mesma opinião de muitos jornalistas.

No século passado os americanos atacaram a Coréia do Norte. Acabaram detidos, humilhados e obrigados a recuar pelos chineses. Uma década e meia após o final da Guerra da Coréia, os gringos invadiram o Vietnam e foram novamente derrotados. Abandonaram o sudoeste da Ásia com o rabo entre as pernas. Diversos ocupantes da Casa Branca fizeram de tudo para isolar e demonizar Fidel Castro. Sofreram uma derrota vergonhosa na Baia dos Porcos e ajudaram a fortalecer o regime de Havana. Apesar de o Iraque ser um país de 3º mundo, os gringos precisaram demonizar seu ex-aliado Saddan Hussei por 10 anos antes de invadir um país combalido econômica e militarmente em 2003.

O alegado sucesso militar no Iraque tem sido contestado a cada explosão. A ocupação está ficando tão cara que até os democratas mais bunda-moles já estão questionando o proto-imperador Bush II.

Não é preciso ser muito perspicaz para dar crédito à observação feita por Aisin-Gioro Pu Y. Em sua autobiografia (O ÚLTIMO IMPERADOR DA CHINA) Pu Y se refere aos EUA como “tigre de papel”. Os americanos são muito agressivos na mídia e cautelosos (para não dizer covardes mesmo) nos campos de batalha.

Seguindo o exemplo de muitos de seus antecessores, Bush II também pretende ganhar guerras com palavras ou transformar derrotas em vitórias com frases mal construídas.

É evidente que o Irã não é uma potência militar e tecnológica à altura dos EUA. Entretanto, os americanos estão sempre mais dispostos a vencer guerras sem baixas do que lutar até o último homem para conquistar um inimigo tenaz e determinado.

O resultado da Guerra do Irá é antecipadamente conhecido. Bush II vai ficar ladrando e deixar o abacaxi iraniano para o seu sucessor. Em razão dos problemas decorrentes da ocupação do Iraque (baixas e despesas militares) o novo proto-imperador que ocupar a Casa Branca também não poderá mais que ladrar para os iranianos enquanto eles seguirão construindo quantas bombas atômicas quiserem.

Israel, por sua vez, também não fará absolutamente nada. Como bons discípulos dos americanos, os militares israelenses também não correm riscos. Estão acostumados a enfrentar inimigos despreparados ou desarmados (o que não é o caso do Irã).

Marx dizia que a tragédia sempre se repete como farsa. O desastre da ocupação americana do Iraque acabará fazendo a Casa Branca ceder ao Irã uma vitória sem tiros. Assim, poderemos apreciar a farsa e rir dos americanos por décadas.


Fábio de Oliveira Ribeiro

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