REVISTA CRIAÇÃO

FORA FHC E LEVE O LULA, O SERRA E O GAROTINHO

“Ontem, numa conferência internacional em São Paulo, ele chamou a atenção para as crescentes dificuldades das instituições políticas para dar respostas mais ágeis às demandas sociais.
O problema não é só a natureza das demandas, mas a velocidade como se estruturam, se disseminam e – nesse processo – se fortalecem.
A causa, naturalmente, é a internet. A web é a ágora (praça pública) dos gregos antigos, onde foi concebida a democracia. A nova praça fica nos sites, nos blogs e nos e-mails [palavras minhas, não de FH].
Para ele, como o sistema político não consegue reagir com a velocidade proporcionada pela internet, as pessoas tendem a achar que os governos não dão conta do recado.
Isso, acrescento, pode valer tanto no Novo Mundo de que o Brasil faz parte como na Velha Europa. O esporte de falar mal dos políticos, tão popular como o futebol, ficou ainda mais atraente.
”Cria-se”, disse FH, “um vazio entre os sentimentos do povo e as esferas do poder”, o que pode gerar crises de legitimidade.”
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs/blogs.asp?id_blog=3
Em razão das suas observações, pode-se concluir que FHC está ultrapassado política e cientificamente. Ele não compreende a importância e alcance das novas tecnologias da informação.
As crises de legitimidade a que se refere FHC não são novas, mas o resultado de demandas sociais não atendidas no passado (inclusive durante o governo dele próprio). Os problemas do Brasil (corrupção, concentração de renda, autoritarismo, violência policial, serviços públicos ineficientes e insuficientes) são velhos conhecidos dos brasileiros.
O fato dos problemas não serem visíveis no passado não quer dizer que eles não existissem. Desde há muito tempo os brasileiros pobres são tratados como cidadãos de segunda classe. As vítimas deste processo social e econômico excludente não tinham condições de se manifestar e os senhores políticos (cuja representatividade é quase nula) escondiam-nas embaixo do tapete.
FHC está preocupado então devemos ficar tranqüilos. O filho de general que após o golpe de 1964 foi aposentado ainda moço, e se mandou do país sem ser molestado sempre foi um cidadão de primeira classe. Francamente, em razão de sua idade avançada, ele deve estar ficando senil, pois não consegue mais lembrar o que aprendeu.
Como sociólogo FHC deveria aplaudir uma população que toma consciência de seu poder e procura exercê-lo. O abismo entre o Estado e o povo é antigo e FHC o manteve durante seu governo. O Estado brasileiro sempre considerou o povo um inimigo que deve pagar impostos indiretos e ser contido, calado, combatido e, eventualmente, eliminado.
Os escroques que usam o Estado como uma privada e fizeram-na transbordar de demandas sociais não atendidas deveriam olhar no espelho. A culpa das futuras crises de legitimidade não é da população, mas dos governantes ineptos, safados, corruptos e incompetentes (muitos dos quais eleitos através de propagandas enganosas feitas com dinheiro sujo).
Ao tomar conhecimento da análise do FHC sobre as implicações da Internet na política brasileira só me ocorre dar-lhe um conselho: ele deveria voltar para Paris e levar com ele o Lula, o Serra e o Garotinho. Enquanto os quatro ficarem se embriagando em Montpanasse ou Montmartré cuidaremos do país à nossa maneira.

Fábio de Oliveira Ribeiro

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