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FRANCESES
IMPÕE
Uma vitória de democracia, do povo francês ou de todos os seres humanos? Apesar da intensa cobertura dada à crise que ocorreu na França, alguns jornalistas não captaram a mensagem das ruas parisienses ou a captaram e resolveram se calar. A mensagem do episódio é absolutamente clara: numa democracia o governo não pode fazer o que bem entender, não impunemente. Villepin quase colocou em risco o Estado ao tentar introduzir à força modificações legislativas que foram rejeitadas pelos franceses. Ao perceber que a derrota era inevitável, voltou atrás para conservar o cargo. Ganharam os franceses. Perderam os verdadeiros artífices das modificações legislativas, muitos dos quais nem residem na França. A vitória dos cidadãos franceses é significativa. Não há dúvidas de que provocará rachaduras profundas no modelo de globalização preconizado pelo Consenso de Washington e pelos mega-investidores globais. A população nas ruas foi capaz de reverter a proposta de difusão global de um padrão de relações de trabalho desfavoráveis aos trabalhadores. A derrota dos mega-investidores globais acarretará mudanças no tabuleiro político mundial. Governos menos neoliberais ou mais corajosos que o de Villepin poderão agora usar o precedente francês para impor ou defender seus próprios padrões de relações do trabalho. Não há duvidas de que a voracidade do capital internacional, que foi contida na França, avançará em outros territórios. Um deles é o brasileiro, onde já está em andamento uma sensível modificação da legislação trabalhista. Cabe aos cidadãos brasileiros se inspirar no exemplo dos franceses e dizer aos mega-investidores globais: - Não vem que não tem, pois aqui quem disciplina as relações do trabalho são os brasileiros. Fábio de Oliveira Ribeiro |