REVISTA CRIAÇÃO
 

GUERRA DE ATRITO INTERMINÁVEL

Recentemente os líderes palestinos e israelenses começaram novamente a discutir a paz. Pelo pouco que aprendi sobre o Oriente Médio o fim do conflito entre árabes e judeus é praticamente impossível.

Antes da criação do Estado de Israel os terroristas sionistas liderados pelo futuro presidente daquele país explodiam bombas nas feiras árabes matando gente inocente. O terrorismo sionista provocou uma raiva muito grande nos árabes e seus descendentes. Afinal, os árabes haviam convivido pacificamente com os judeus desde tempos imemoriais.

Depois que Israel foi criado começou a lenta, violenta e continua expulsão dos árabes dos territórios destinados ao novo Estado. Moshe Dayan foi o artífice da conquista militar do território israelense. Anos depois Dayan ocuparia um papel importante na conquista dos outros territórios (aqueles que eram originalmente destinados aos palestinos).

Israel não tem uma constituição, nunca reconheceu a igualdade de direitos para os árabes dentro do seu território. Isto também tem sido fonte de muito ódio dentro e fora de suas fronteiras.

A princípio os palestinos aceitaram o papel de vítimas. Acreditavam que seriam salvos dos sionistas pelos paises visinhos, especialmente pelo Egito ao tempo de Nasser. Com a derrota militar e ideológica do Pan-Arabismo, os palestinos começaram a se organizar e usar contra Israel o mesmo terrorismo que os sionistas empregaram na construção de seu país.

Desde a Primeira Intifada os atentados palestinos se multiplicam e as retaliações militares israelenses também. O sangue de judeus e palestinos, culpados e inocentes, tem regado fartamente a Terra Santa. O resultado é esta GUERRA DE ATRITO interminável que temos visto.

O relacionamento de Israel com os vizinhos é complicado. Apesar do amplo apoio internacional que garantiria a existência do país, Israel optou pela crescente militarização. Quando se tornou uma potência nuclear passou a inspirar um verdadeiro e justificado temor nos outros paises. Além disto, os israelenses nunca cumpriram fielmente as resoluções da ONU. Mesmo assim os americanos (que invadiram o Iraque porque Saddan descumpriu resoluções da ONU), nunca foram capazes de tratar Israel um país fora da Lei.

As negociações de paz entre palestinos e israelenses tem sido infrutíferas e tudo indica que continuarão a ser inúteis. Quando os lideres dos dois paises querem realmente a paz, são sabotados pelos partidos da guerra que existem em Israel e na Palestina. Algumas vezes as negociações foram travadas apenas para que os líderes israelenses e palestinos pudessem acusar o outro lado de perfídia. Este tipo de burla ficou bem evidente quando Sharon era o todo poderoso em Israel.

Uma paz genuína entre palestinos e israelenses seria frágil. Além das fronteiras dos dois paises existem os outros árabes, muitos dos quais se consideram inimigos mortais dos israelenses.

As novas lideranças dos dois lados dão publicamente a impressão de que realmente celebrar a paz. Entretanto, é inevitável fazer algumas perguntas:

1) Os colonos israelenses desocuparão os territórios ocupados?
2) Os árabes em território israelense serão tratados como iguais pelos israelenses?
3) Os palestinos irão parar de fazer atentados à bomba em Israel?
4) Os militares israelenses deixarão de usar a força contra seus inimigos?
5) Jerusalém será capital de palestinos ou de israelenses?
6) A normalização das relações entre Israel e seus vizinhos é possível?

Não me compete responder estas questões. Acredito que os israelenses e palestinos darão muitas respostas para as mesmas. Uma destas respostas será a continuação desta guerra interminável.

Fábio de Oliveira Ribeiro

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