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HOLOCAUSTOS SIONISTAS
Ao tratar do holocausto, Finkelstein não deixa de ressaltar que ele não é um fato histórico como outro qualquer, que sua singularidade única faz parte do mito criado por autores como Elie Wiesel. Além disso, demonstra como uma comunidade financeiramente privilegiada e politicamente organizada (os judeus americanos) tira proveito desta representação, enquanto as verdadeiras vítimas dos campos de concentração pouco ou nada receberam do dinheiro arrecadado com indenizações. A integridade intelectual do autor leva-o a procurar as origens da política territorial hitlerista na História Americana do século XIX. Mais especificamente na colonização do Oeste, quando os anglo-americanos ocuparam as terras dos ameríndios confinando-os em reservas ou simplesmente exterminando-os fisicamente. Finkelstein lembra, ainda, que as leis de esterilização alemãs foram inspiradas em leis análogas aprovadas na América no início do século XX. É uma pena que o autor não tenha procurado as origens da teoria da superioridade ariana. Se o fizesse certamente esbarraria em obras como "Ensaio sobre a Desigualdade das Raças", de Arthur Gobineau (1855), "História da Civilização na Inglaterra", de Thomas Buckle (1857/1861), e "Viagem ao Brasil", de Louis Agassiz (1868). Buckle, Gobineau e Agassis, que não eram alemães, foram os primeiros teóricos a afirmar que o europeu branco era superior às outras raças, justificando assim a colonização (eufemismo para ocupação militar e exploração econômica) da África, Ásia e Oceania por Inglaterra e França. Se aprofundasse um pouco mais sua análise, certamente o autor poderia encontrar na bíblica afirmação de que os filhos de Heber foram escolhidos por Deus uma remota gênese para os campos de concentração alemães. Afinal há pouca diferença entre uma raça superior e um povo eleito por Deus. Qualquer que seja o princípio, a distinção serve apenas para justificar a opressão. E já que estamos falando da Bíblia (que é literalmente o livro dos livros dos judeus), nunca é demais lembrar que lá está claramente escrito que quando chegaram à terra prometida comandados por Moisés e Josué os hebreus praticaram inúmeros genocídios. Nas cidades atacadas, conquistadas e submetidas a saque pelos hebreus homens, mulheres e crianças foram passados no fio da espada. Não deixa de ser uma ironia o fato de que dois ou três milênios depois destes Holocaustos Sionistas os alemães tenham aprendido a lição bíblica aplicando-a contra seus mestres. Mas se não foi tão longe, pelo menos Finkelstein compara Israel atual a qualquer outro Estado militarizado. Nazismo, Sionismo... "A Indústria do Holocausto" faz o leitor começar a nutrir uma certa desconfiança de todos estes "ismos". Ponto para o autor, que merece ser lido (mesmo que detestado).
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