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INTERNET, JORNALISMO E POLITICA Durante muito tempo jornalismo de massa e autoritarismo político foram pares siameses. Por intermédio da imprensa o discurso politicamente correto e a agenda pública das nações foram criados e difundidos à revelia dos cidadãos contribuintes. É através destes discursos e agendas impostos aos cidadãos por intermédio dos jornalistas, que os interesses da minoria têm sido satisfeito. A maioria que detêm o poder político de fato é alijada das decisões que lhes interessam acreditando na isenção da mídia. O caso de epidemia no Rio de Janeiro exemplifica bem as relações entre política e jornalismo. A imprensa, principalmente televisada, legitimou gastos bilionários com o PAN em benefício de poucos (inclusive da Rede Globo, que faturou alto com os direitos de retransmissão do evento http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=458JDB003 ). Entretanto, a população em geral, que nem assistiu presencialmente as provas nem as disputou, precisava da alocação de recursos na saúde pública e no combate à dengue o que não ocorreu. O resultado foi catastrófico: dezenas de pessoas morreram, milhares foram contaminados e milhões correm risco de contrair uma doença que pode ser mortal (http://www.estado.com.br/editorias/2008/03/25/edi-1.93.5.20080325.1.1.xml) As distorções que permitem a predominância dos interesses privados aos públicos, têm ocorrido com ou sem a censura ou controle direto da mídia pelo Estado. Penso, porque a natureza infelizmente me fez um ser pensante, que o totalitarismo nazifascista apenas e tão somente exacerbou uma característica da chamada “democracia ocidental”. Aliás, já disse em outro lugar que o que chamamos “democracia ocidental” na verdade é “liberalismo oligárquico” que se envergonha de seu nome (http://www.revistacriacao.net/democracia.htm). Penso, também, que um dos bastiões do “liberalismo oligárquico” foi invadido quando a notícia deixou de ser um monopólio dos jornalistas. Com ou sem a aprovação e mesmo diante da reação dos donos dos fatos, a Internet está renovando o jornalismo. Ao fazer isto a rede mundial de computadores permite uma renovação na arena pública ao possibilitar aos cidadãos ajudarem a definir e a legitimar novas agendas públicas. Como defensor da liberdade e da predominância dos interesses públicos na atuação do Estado, penso que resta uma cidadela a ser demolida. A que permite o monopólio do Estado pelos partidos políticos (ou quadrilhas oficiais como gosto de dizer). Quando o publico for capaz de impedir que seus mandatários usem o Estado em benefício próprio e de seus amigos a luta por mais democracia terá findado. Mas até que uma nova Ágora (http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81gora) venha ser construída terá que ocorrer um aumento e um refinamento da artilharia virtual. Mãos a obra. Fábio de
Oliveira Ribeiro |