REVISTA CRIAÇÃO

IRÃ, EUA E CHINA

É preciso observar com um pouco mais de cuidado a política externa americana.

Bush empregou o atentado às Torres Gêmeas como pretexto para a guerra contra o Afeganistão. Contudo, não havia um só afegão nos aviões que derrubaram o WTC. Depois, a propósito de destruir armas de destruição em massa, autorizou a ocupação do Iraque. Não demorou muito para que o próprio Bush admitisse que as referidas armas de destruição em massa não existiam. Tudo isto ocorreu justamente no momento em que o governo chinês declarou que está pronto a atuar de maneira construtiva na região.

A China cresce a 10% ao ano a quase uma década e seu desenvolvimento econômico ainda não perdeu o fôlego. Rapidamente a China está se tornando o maior comprador de petróleo do planeta. Já é o maior proprietário de títulos da dívida pública americana fora dos EUA.

Os analistas americanos já admitem que não vai demorar muito para que Pequim substitua Washigton no controle dos preços globalizados. O poder da China em termos cambiais se fizeram sentir há bem pouco tempo numa queda de braço com os EUA. Os EUA adotam uma política comercial ambígua. Tentam impor seus interesses aos latino-americanos, mas se curvam às exigências do gigante oriental.

Ao avaliar a atuação dos EUA no Oriente Médio não podemos perder de vista que o Pentágono pode estar orientando toda política externa americana com vistas a um possível conflito bilateral China/EUA. Afinal, a China faz fronteira com o Afeganistão, esta a algumas centenas de quilômetros das maiores reservas mundiais de petróleo e tem Forças Armadas modernas e milhões de soldados.

Para os americanos, controlar o Oriente Médio não é só dispor do petróleo livremente. Mas, principalmente, privar um potencial inimigo do controle deste recurso sem o qual a guerra moderna é inviável e impossível.

O problema é que ao antecipar o controle do Oriente Médio os gringos atraíam o ódio dos mulçumanos e criaram condições para um acordo vantajoso entre outras nações petrolíferas e a China. É por isto que tenho dúvidas de que o Irã será bombardeado e ocupado como o Iraque.

Neste contexto, a publicação pelos jornais do Ocidente das charges do Profeta Maomé consideradas ofensivas e a desproporcional reação às mesmas por parte dos mulçumanos adquirem uma importância inusitada. Ajudam numa eventual aproximação de mulçumanos e chineses.


Fábio de Oliveira Ribeiro

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