REVISTA CRIAÇÃO

LAGRIMAS DO SOL


“Lagrimas do sol” é uma excelente peça de propaganda do “american way of life and war”.

Um grupo reduzido de fuzileiros navais é enviado para a Nigéria. Sua missão é resgatar civis americanos que podem ser massacrados pelos mulçumanos que tomaram o poder e fazem uma guerra genocida contra a minoria católica.

Entretanto, a resistência da Dra. Lena e o voluntarismo do tenente que comanda a missão alteram os planos originais. Os marines acabam se arriscando para salvar civis inocentes que são perseguidos por milhares de soldados cruéis.

À medida que seguem para a fronteira de Camarões conduzindo os refugiados, os americanos se envolvem numa batalha para salvar os sobreviventes de uma chacina que está sendo praticadas pelos vilões. Eliminam os mulçumanos não porque gostam de matar, mas porque é um imperativo moral evitar o genocídio que está ocorrendo.

Logo depois descobrem que estão sendo perseguidos porque foram traídos por um refugiado que está transmitindo sua posição para uma coluna do inimigo. Ao tentar descobrir se existem outros traidores o comandante americano fica sabendo que entre os refugiados está o filho do Presidente deposto.

A marcha para a liberdade continua. Antes que ela acabe os americanos terão que enfrentar milhares de soldados africanos que tentam impedir o resgate do refugiado ilustre. Depois de sofrerem várias baixas, os marines solicitam apoio aéreo e são atendidos. Dois F18 da marinha jogam bombas incendiárias sobre os cruéis inimigos da democracia. Os sobreviventes e refugiados atravessam a fronteira.

Se estivesse vivo Goebels certamente gostaria muito de “Lágrimas do sol”. Afinal, o filme segue todos os cânones nazistas de valorização da brutalidade e da superioridade moral dos militares ocidentais (e predominantemente brancos).

Os soldados americanos são humanizados através de closes que realçam sua reação emotiva às atrocidades cometidas pelo inimigo. “Tears of the sun” valoriza sem nenhum pudor o “american way of life and war” colocando em evidência o uso da força para proteger civis inocentes contra militares cruéis e genocidas. Procura harmonizar as relações entre civis e militares americanos, representados simbolicamente pela Dra. Lena e o personagem representado por Bruce Willis. Justifica moralmente o uso da superioridade tecnológica como a única maneira de vencer a superioridade numérica.

É realmente uma pena que a vida nunca imite a arte. Todas as vezes que interferiram na vida de outros povos os americanos é que produziram genocídios. No Iraque derrubaram o governo legítimo de Mossadeq para apoiar as barbaridades de um regime pró-americano. No Vietnan fuzilaram milhares de velhos, mulheres e crianças porque não conseguiam vencer os vietcongs. No Sudão bombardearam uma fábrica de remédios.

Porque os empresários americanos financiam filmes como “Lágrimas do sol”? Para continuarem fazendo exatamente aquilo que sustenta a economia americana:- fabricar e vender armas para que outras pessoas usem-nas ou se tornem vítimas delas inspirando outros filmes de guerra.

Fábio de Oliveira Ribeiro

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