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LULA, MACHIAVELLI, DOIS BENJAMINS E A FOLHA DE SÃO PAULO Eu sou um cara lerdo. Demoro em ruminações antes de tratar de assuntos delicados. E quando me decido a fazer algo procuro ser muito meticuloso e um tanto pedante. Hoje me ocorreu escrever escassas linhas sobre o incidente provocado por um tal Benjamim da Folha. Benjamim este que certamente está a anos luz do outro Benjamim (o Walter, aquele sim um grande escritor). Pois bem... a mim me pareceu que o Benjamim da Folha disse o que lhe disseram sobre o Lula no cárcere porque, depois de uns whiskies, deve ter embaralhado a trajetória do líder sindical e político brasileiro com a vida do magnífico diplomata e escritor florentino. É claro que existem algumas semelhanças entre Lula e Machiavelli: ambos tiveram origens humildes, ambos ocuparam proeminentes cargos públicos numa República, ambos foram presos políticos e ambos demonstraram uma excepcional capacidade diplomática. No mais, as diferenças entre ambos são maiores do que as semelhanças. Na biografia que escreveu sobre Nicolo Di Bernardo Dei Machiavelli (resenha aqui: http://www.revistacriacao.net/sorriso_nicolau.htm ) Maurizio Viroli informa que, ao contrário do nosso Presidente, o florentino foi formalmente acusado de fazer aquilo que Lula teria tentado fazer segundo disseram ao Benjamim da Folha. Reproduzo abaixo o fragmento da acusação citado por Viroli que, depois de uns whiskies, pode ter levado o Benjamim da Folha a fazer corar de rir os admiradores do Walter Benjamim: "Notifica-se a Vós, Senhores Oito, como Nicolau de 'Messer' Bernando Machiavelli fodeu Lucrécia, dita a Riccia, no cu. Interrogai-a e descobrireis a verdade." Em Florença, ao tempo de Machiavelli, fazer sexo anal era bastante perigoso. Dependendo das provas isto poderia acarretar condenação e prisão. Aqui no Brasil, dias de hoje, acusar um ex-preso político que virou Presidente da República de tentar foder outro preso no cu sem apresentar provas (ou, no mínimo, o cu do outro preso) é só motivo de riso. Viva a mediocridade da Folha de São Paulo. Com um jornal destes não precisamos mais de comediantes. Podemos rir à larga.
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