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MEDITAÇÕES MEDITABUNDAS SOBRE O TRÂNSITO
estradas ruins x motoristas bêbados x carros velhos x desprezo governamental pela vida x fiscalização deficiente = genocídio automotivo Para reduzir o genocídio automotivo teríamos que reduzir quantitativa e qualitativamente todos os elementos da equação. Melhorar as estradas tem custo. Se o Estado não tem condições ou não quer ter este custo, as estradas devem ser privatizadas. Mas a privatização não poderia ocorrer como o Serra tem feito São Paulo. O valor descomunal dos pedágios paulistas torna o uso das estradas proibitivo para as pessoas de baixa renda. O Serra tem todo direito de governar em favor de quem deu dinheiro para a campana dele (não é o que fazem todos os políticos?), mas não deveria suprimir o direito de ir e vir constitucional. Os motoristas bebem muito porque são incentivados pelos meios de comunicação. É preciso reduzir a propaganda de bebidas, ampliar os programas governamentais de recuperação de alcoólatras e responsabilizar os fabricantes de bebidas pelas despesas causadas pelo abuso da propaganda com vistas ao aumento do consumo/lucro. Dois problemas: muitos políticos são bêbados, alguns pegam dinheiro dos fabricantes de bebidas e certamente saberão dificultar qualquer mudança legislativa para responsabilizar seus financiadores. Os carros velhos causam acidentes. Então é preciso renovar a frota. A única coisa que o Estado pode fazer para mudar este quadro é tributar pesadamente os carros velhos e reduzir os tributos dos carros novos. Problema: a medida seria impopular e nossos falsos estadistas gostam mais da popularidade (e dos votos) do que do bem estar da população. Político só é bom depois de morto. Enquanto está vivo todo político tem inimigo e os mesmos não podem deixar de usar a mídia para realçar seus defeitos verdadeiros ou atribuídos. Depois que morre até o bandido verdadeiro vira santo porque nenhum político que se preze quer perder a oportunidade de abocanhar o eleitorado do falecido reverenciando-o. Era um grande brasileiro! Não foi isto que os ex-inimigos disseram do ACM? Não é o que dirão do Lula no futuro? Todo político tem um desprezo patológico pela população. Mentir, invocar toda e qualquer religião em vão, roubar dinheiro público, favorecer apenas os amigos, dificultar a vida dos oponentes causando estrago na vida da população, são apenas algumas das artimanhas que os políticos usam para chegar e se manter no poder. O que Hitler disse de seu amado povo alemão pouco antes de se suicidar no bunker sob a Chancelaria do Reich? Se dependesse do fürer todos os alemães morreriam por terem falhado com ele. Todo político é um Hitler melhorado. Alguns podem até ser piores do que o fürer, porque ainda não morreram. Não podemos esperar nada dos políticos em matéria de trânsito. O único trânsito que os preocupa é o de influências. Quando começarmos a desprezá-los com a mesma intensidade do desprezo que eles devotam à população que os remunera talvez os Hitlerzinhos brasileiros comecem a correr atrás do prejuízo. Antes disto, o genocídio no trânsito vai continuar. Um agravante, os políticos não usam mais carros para se deslocar quando precisam cobrir grandes distâncias. Infelizmente, nenhum vai morrer atropelado ou esmagado dentro de um carro oficial. A fiscalização depende de mão de obra em quantidade suficiente e devidamente qualificada. Quantos são os policiais rodoviários federais? O número é ridículo. Tem mais assessor de político em Brasília do que policial verificando o trânsito nas rodovias federais. Nos Estados, idem. Chegamos ao absurdo de acreditar que a colocação de mais câmeras de vigilância vai resolver o problema. No máximo as tais câmeras vão registrar os acidentes e fornecer material para os jornais matutinos. É o que tem ocorrido, não? Por ora só vejo duas saídas. Andar a pé ou de balão. De avião não ando, nem de graça. Além do caos aéreo os aviões estão sempre cheios de políticos e seus piolhos. Fábio de Oliveira Ribeiro |