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MEIO AMBIENTE NAS ESCOLAS
A natureza é eterna? Antes de meu nascimento ela foi, depois de minha morte certamente será. Como existência entre duas inexistências, só conheço a eternidade por exclusão. Sei que ela é o que não sou. Mas não sei exatamente o que ela é. Na verdade penso que sei o que sou, mas admito que posso estar enganado. Tudo o que se diz da natureza pode-se dizer da ecologia. Podemos dizer, com absoluta certeza, que ela não é supranatural ou sobrenatural. Entretanto, “ecologia” é apenas uma palavra e, como tal, uma escolha arbitrária que alguém em algum momento fez para representar um fato. A palavra fez sucesso e ao fim de alguns anos todos os demais aceitaram a palavra e sua definição porque não conseguiram definir o fato ou simplesmente não foram suficientemente criativos para criar uma palavra para representá-lo. Muito embora o fato descrito pela palavra “ecologia” possa não existir ou a palavra não conseguir exprimir toda a complexidade do que pretende representar, a “ecologia” invadiu todas as outras ciências. Os educadores discutem ecologia sob o ponto de vista da educação. Os juristas atribuíram personalidade jurídica à natureza e definiram crimes ecológicos. Os espíritas certamente devem estar a debater com seriedade a ecologia nos sítios habitados após a morte, porque é natural que existam relações de mutua dependência ecológica em qualquer nicho - mesmo que este seja sobrenatural. Mas sobrenatural mesmo é não perceber a realidade. Há 5 ou 6 anos fiz estágio em salas de primeiro e segundo grau de uma escola estadual situada na cidade de Osasco. Apliquei aos alunos de primeiro e segundo grau o mesmo teste: leitura de uma crônica, perguntas sobre o texto relacionando-o ao cotidiano de cada um e a produção de uma redação a partir das respostas. O resultado foi deprimente, mas serviu para demonstrar que o ensino de ecologia nas escolas é perfeitamente dispensável. Nosso sistema de educação está conseguindo realizar exatamente o oposto daquilo a que se destina. Ao invés de civilizar as crianças, a sociedade está transformando-as em bichos semi-analfabetos. Na sua inocência, as crianças aprendem o que são ensinadas: a se reunir em bandos para se agredir mutuamente e realizar depredações. Estas crianças quase civilizadas crescem, porque a natureza as faz crescer. Quando estão grandes o suficiente são recrutadas por quadrilhas, por torcidas organizadas ou pela polícia. Vez por outra um bando entra em conflito com outro e a imprensa noticia a tragédia: a polícia enfrentou manifestantes, guerra de traficantes no rio, a polícia foi agredida por torcedores, etc. Não vejo porque discutir a necessidade de inclusão da ecologia no currículo das escolas. A matéria já faz parte do currículo. Mais que isto, à ecologia se resume a vida dos estudantes dentro e fora das escolas. Quase todas nossas crianças estão a descer ao nível dos brutos. E como brutos não precisam de educação ecológica, pois se relacionam com a natureza à base de instintos. Já disseram que só o mais apto sobrevive. Na selva de pedra que se transformaram nossas cidades só os brutos sobreviverão. Sendo assim, os brasileiros que estão por vir conhecerão um país quase tão desenvolvido quanto o que havia antes de 1.500 - mas é evidente que os índios eram felizes, porque não precisavam ir às escolas para serem “civilizados”.
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