REVISTA CRIAÇÃO

MICROJORNALISMO E DECADÊNCIA


O microjornalismo político se tornou um fenômeno importante durante as prévias norte-americanas:

“O blog da revista Editor &Publisher foi o primeiro e identificar a nova tendência nas redações e o fenômeno foi sacramentado agora pelo The New York Times numa matéria sobre as primárias no estado de New Hampshire.

O Twitter é um software para transmitir pequenas mensagens, de no máximo 160 toques, que podem ser enviadas de um telefone celular com acesso à internet.

Lançado em 2006, o programa foi imediatamente batizado de microblog por meio dos qual os seus usuários publicavam pequenos textos para dizer o que estavam fazendo no momento da postagem.

De modismo juvenil, o Twitter saltou para as redações jornalísticas no segundo semestre de 2007, quando alguns repórteres free lancers de Los Angeles e San Francisco começaram a usa-lo para transmitir notícias em tempo real para jornais online.”

Fonte: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs.asp?id_blog=2&id={04298A98-29AE-4A04-835C-7A01305801EA}


Durante séculos as grandes narrativas ocuparam um papel central no cenário político. Na Antiguidade e em Roma, os poemas épicos forneciam aos cidadãos não só as representações religiosas, históricas e culturais mais importantes, mas também os paradigmas de heroísmo e eloqüência que os estadistas (e candidatos a estadistas) utilizavam para conquistar ou preservar o poder.

Com o colapso do mundo antigo, a Bíblia e o Novo Testamento (mais tarde também o Alcorão) se tornaram a pedra fundamental da cultura, da política e até mesmo da guerra. O primeiro grande general moderno, um prussiano que deve ter servido de modelo a Napoleão, não iniciava uma batalha sem consultar a Bíblia.

No final do século XIX e início do XX, o marxismo, que pretendia unificar a ciência, história, economia e política, se tornou uma grande narrativa tão importante quanto à própria Bíblia e o Alcorão. O épico comunista em prosa forneceu um novo modelo de sociedade e desencadeou um verdadeiro conflito de civilizações com o cristianismo e o islamismo.

Sete décadas e meia após ter inspirado a Revolução Russa, a última grande narrativa também se tornou irrelevante. A queda do Muro de Berlim e o esfacelamento da União Soviética parecem ter relegado o marxismo ao lixo da história das idéias. Ironicamente, “O Capital” repousa em paz ao lado dos poemas épicos antigos e dos textos fundamentais dos cristãos que pretendia substituir.

Apesar da sobrevivência do cristianismo a Bíblia e o Novo Testamento já não desempenham o mesmo papel político e cultural que tiveram no passado. A era do império político das grandes narrativas parece ter chegado ao fim. Já no início do século XX outro alemão, Oswald Arnold Gottfried Spengler, havia notado o processo de decadência das grandes narrativas. Associou o mesmo à decadência da própria civilização ocidental.

Em razão do exposto, podemos concluir que o microjornalismo político norte-americano referido pelo jornalista Carlos Castilho parece coroar uma tendência antiga. Na verdade, o sucesso desta nova tendência demonstra que, de certa maneira, os EUA lideram a decadência ocidental.

Fábio de Oliveira Ribeiro

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