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MICROJORNALISMO E DECADÊNCIA
“O blog da revista Editor &Publisher foi o primeiro e identificar
a nova tendência nas redações e o fenômeno
foi sacramentado agora pelo The New York Times numa matéria
sobre as primárias no estado de New Hampshire.
Com o colapso do mundo antigo, a Bíblia e o Novo Testamento (mais tarde também o Alcorão) se tornaram a pedra fundamental da cultura, da política e até mesmo da guerra. O primeiro grande general moderno, um prussiano que deve ter servido de modelo a Napoleão, não iniciava uma batalha sem consultar a Bíblia. No final do século XIX e início do XX, o marxismo, que pretendia unificar a ciência, história, economia e política, se tornou uma grande narrativa tão importante quanto à própria Bíblia e o Alcorão. O épico comunista em prosa forneceu um novo modelo de sociedade e desencadeou um verdadeiro conflito de civilizações com o cristianismo e o islamismo. Sete décadas e meia após ter inspirado a Revolução Russa, a última grande narrativa também se tornou irrelevante. A queda do Muro de Berlim e o esfacelamento da União Soviética parecem ter relegado o marxismo ao lixo da história das idéias. Ironicamente, “O Capital” repousa em paz ao lado dos poemas épicos antigos e dos textos fundamentais dos cristãos que pretendia substituir. Apesar da sobrevivência do cristianismo a Bíblia e o Novo Testamento já não desempenham o mesmo papel político e cultural que tiveram no passado. A era do império político das grandes narrativas parece ter chegado ao fim. Já no início do século XX outro alemão, Oswald Arnold Gottfried Spengler, havia notado o processo de decadência das grandes narrativas. Associou o mesmo à decadência da própria civilização ocidental. Em razão do exposto, podemos concluir que o microjornalismo político norte-americano referido pelo jornalista Carlos Castilho parece coroar uma tendência antiga. Na verdade, o sucesso desta nova tendência demonstra que, de certa maneira, os EUA lideram a decadência ocidental. Fábio de Oliveira Ribeiro |