O BOM DIA BRASIL E O MAU JORNALISMO Hoje pela manhã (27/11/2009) ficou evidente que não existem limites para a má-fé jornalística dos pupilos do senhor Ali Kamel. Ao
fazer a cobertura das panes na distribuição de energia
na cidade do Rio de Janeiro, o ancora do Bom Dia Brasil relacionou
estes episódios diretamente ao apagão em 18 Estados
da Federação provocado pela falha na transmissão
de energia de Itaipu ocorrida a alguns dias. As empresas que operam na geração, transmissão e distribuição de energia são distintas. Algumas são públicas, outras têm capital público e privado e a maioria é de capital privado. As relações comerciais e técnicas entre as diversas empresas são evidentes e indispensáveis. Afinal, as distribuidoras não podem distribuir uma energia elétrica que não foi gerada ou transmitida. Mas a falha na distribuição não está necessariamente ligada a defeitos na geração e transmissão de energia. O conteúdo da matéria levada ao ar pelo Bom Dia Brasil evidencia que os problemas no Rio de Janeiro são locais. Portanto, não tem qualquer relação com o apagão ocorrido por defeito na transmissão de energia de Itaipu. Não havia motivo técnico ou jornalístico para o ancora relacionar os dois episódios. O deslize do pupilo do Ali Kamel, que me pareceu proposital, é um excelente exemplo de argumento inválido. “Uma forma de argumento é válida quando não é possível que um argumento com essa forma tenha premissas verdadeiras e uma conclusão falsa. O conceito de validade tem, então, certa generalidade – podemos dizer, a respeito de qualquer argumento que tenha forma válida, que, se as premissas forem verdadeiras, a conclusão tem que ser verdadeira. A validade de uma forma garante a validade de todos os inúmeros argumentos que tenham essa forma. Por exemplo, qualquer argumento que tenha a forma de modus ponens é valido, seja qual for o assunto de que trate. Nos argumentos inválidos, no entanto, a forma não tem a mesma garantia de generalidade. Essa assimetria entre validade e invalidade existe porque é possível que um argumento tenha mais de uma forma. ” ( LÓGICA INFORMAL, Douglas N. Walton, Martins Fontes, 2006) O argumento do ancora do Bom Dia Brasil pode ser reduzido a seguinte formula: a falta de energia durante o apagão é igual a falta de energia em alguns bairros do Rio de Janeiro, portanto, as mesmas autoridades são responsáveis pelos dois episódios. Como vimos acima, as empresas que exploram a geração, transmissão e distribuição de energia são distintas. Em razão das características do setor elétrico brasileiro (cujas informações estão à disposição inclusive dos jornalistas da Globo) a ausência de energia elétrica no Rio de Janeiro durante o apagão (que ocorreu por falha na transmissão da energia gerada por Itaipu) é diferente da falta de distribuição de energia elétrica em alguns bairros do Rio de Janeiro (que ocorreu por falha na distribuição local de energia). Com apoio de Walton,
podemos concluir que o argumento do ancora do Bom dia Brasil é
inválido. Culpar as autoridades federais por um problema local
não é só mau jornalismo é um exemplo grosseiro
de má-fé. Eu não ficaria triste se a legislação
fosse mudada de maneira a permitir a punição da empresa
jornalística e do jornalista por comportamentos tão
antiéticos e nocivos.
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