REVISTA CRIAÇÃO

OBSERVAÇÃO DO LEITOR, INUNDAÇÕES

“Nós governamos para os "outros" não para os favelados disseram silenciosamente Kassab e José Serra.

Quando a Erundina era Prefeita de São Paulo a midia creditava as inundações a Prefeitura. Naquela época, se bem me lembro, a Prefeita passou a ser chamada de INUNDINA por alguns jornalistas. Agora que o Prefeito é "outro" e as inundações continuam a ocorrer a mídia não só não culpa a Prefeitura como aceita sua desculpa esfarrapada dada pelo Kassab de que a inundação é culpada pelas tragédias.

Mas não foi só o Kassab que fugiu da chuva. O Serra também fez isto. O Estado de São Paulo e sua Capital sempre tem bilhões para construir pontes, viadutos, avenidas, rodoanéis e túneis para atender as necessidades viárias e empresariais das classes A e B, mas nunca tem alguns tostões para conter as encostas onde vivem as classes C, D e E. O desmoronamento de encostas não é previsível?

Fica parecendo que o problema urbano é estético. Afinal, as obras para conter encostas não irão servir de cenário de fundo para o Bom Dia São Paulo como aquela vistosa ponte construída sobre o Rio Pinheiros. Os jornalistas, especialmente os de TV, parecem não se importar muito com o que ocorre nos bairros pobres, porque os bairros deles estão sempre bem distantes dos alagamentos.

Hoje pela manhã, ao referir-se as famílias que ainda estão nas áreas em que há risco de desbarrancamento em Sampa, a ancora do Bom dia São Paulo afirmou que "...elas dizem que não tem para onde ir...". Curiosa modulação. Fica parecendo que os favelados escolheram morar em áreas de risco e só não mudam para os casarões do Morumbi porque não querem. Além disto, até as garrafas PET que boiam no Tietê sabem que a grande maioria dos favelados emigrou do interior ou de regiões ainda mais pobres e não tem parentes em Sampa. O próprio Bom Dia Brasil entrevistou uma vítima que disse que pretendia voltar para o Paraná porque havia perdido tudo.

Curiosa a administração pública paulista e paulistana, não? Mais curioso é o jornalismo tupiniquim, que culpa a natureza ou as pessoas em situação de risco justamente porque não quer correr o risco de arranhar os egos de alguns prefeitos e governadores.

Fábio de Oliveira Ribeiro

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