OS
MALES DO PLANEJAMENTO E O PLANEJAMENTO DOS MALES
A crítica
da economia capitalista feita por Marx ainda não encontrou
qualquer concorrente de peso. Apesar de seu mérito, o alemão
não foi capaz de descrever um novo modelo econômico e
político alternativo à bem sucedida combinação
Estado nacional/capitalismo. Dentre as falhas teóricas do marxismo
podemos apontar a inexorabilidade da superação de um
modelo produtivo por outro (na verdade diversas formas de produção
são concorrentes apesar da prevalência de uma delas)
e a natureza do ser humano que o conduz ao nacionalismo e impede um
genuíno internacionalismo.
As virtudes da crítica marxista possibilitaram a revolução
na Rússia e na China, mas nem por isto estes países
se tornaram socialistas ou comunistas. Na URSS a estatização
dos meios de produção, a planificação
econômica e o predomínio de uma burocracia acarretou
uma nova forma de opressão que acabou economicamente esgotada.
Na China teria ocorrido o mesmo caso Deng Chiao Ping não tivesse
percebido as vantagens comparativas da ganância privada capitalista.
Ao longo do século XX as economias de China, Rússia
e EUA se assemelharam num ponto. Todas se pautaram na industrialização
sem se preocupar com os efeitos negativos para o meio-ambiente.
Agora que a natureza começa a cobrar sua fatura, a diplomacia
resolveu planejar de forma metódica o futuro do planeta. Curiosamente
foram os males da planificação que ajudaram a enterrar
a URSS.
Um plano é uma relação de coisas que quase sempre
não ocorrem por razões alheias às vontades de
seus idealizadores. Se os responsáveis pela execução
de um plano se adaptam às circunstâncias são obrigados
a abandoná-lo.Se preservam o plano apesar das circunstâncias
são obrigados a maquiar os resultados para torná-los
aceitáveis.
Os idealizadores do Protocolo de Kyoto, por exemplo, não contavam
com o fato de que os EUA se recusariam a cumprir as metas que definiram.
A recusa americana é uma circunstância que impede a concretização
do plano e demonstra claramente os males da planificação.
Mas e se fizermos o contrário? E se planejarmos meticulosamente
o que pretendemos fazer com os recursos disponíveis para amenizar
os males que já estão ocorrendo? Ao invés de
discutir metas que se tornarão inviáveis por causa de
fatores imprevisíveis ou por causa dos males da planificação
poderíamos planificar os males através um Banco Mundial
da Ecologia ou um Fundo Monetário Ecológico.
Fábio de Oliveira Ribeiro