REVISTA CRIAÇÃO

PEDAGOGIA DA ESFINGE

Fui aluno de escola pública na década de 1970. Muitos de meus professores eram adeptos da pedagogia do Piaget. Em casa, entretanto, a pedagogia da minha mãe era a do Pinochet mesmo. Na escola recebi o estímulo, em casa o reforço. A certeza de que nota baixa e chinelada eram coisas intimamente ligadas era terrível, mas funcionou no meu caso. Nunca repeti um ano letivo e hoje tenho duas graduações universitárias. Se um dia for obrigado a deixar uma profissão não morrerei de fome porque tenho outra.
Em razão do ECA e das transformações sociais que ocorreram nos últimos 30 anos, os pais não usam (na verdade não podem mais usar) a pedagogia do Pinochet. Na escola pública a progressão continuada se tornou uma triste realidade. E segue deformando todas as escolas pedagógicas.
A única pedagogia em vigor no Brasil é a da Esfinge:
"Decifra-me ou te devoro!"
O futuro dos brasileirinhos (especialmente dos mais pobres que dependem da escola pública) está sendo deliberadamente devorado. Em algumas décadas a separação entre os ricos e pobres será tão completa, absoluta, impiedosa, brutal e intocável que a única saída para os brasileiros de classe baixa será a criminalidade.
Ops... acho que estou me enganando. A criminalidade já está se transformando na única fonte de renda para os pobres desesperançados de todas as cores. Pior... o sofrimento dos milhares de presidiários e dos milhões de candidatos a presidiários se tornou a fonte de lucros dos construtores de presídios. O país optou por transformar seus cidadãos pobres em bandidos para depois encarcerá-los nos presídios construídos pelas empreiteiras (as mesmas que dão dinheiros aos políticos que apóiam a progressão continuada).
Toca em frente...


Fábio de Oliveira Ribeiro

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