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PORQUE PERSEVERAR NA CAMPANHA DO VOTO NULO Apesar de ser feita sorrateiramente, à margem das pesquisas eleitorais e da cobertura da grande imprensa, existem indícios de que CAMPANHA DO VOTO NULO está se avolumando. Prova disto é a reação que a mesma tem gerado nas autoridades públicas. Já falaram contra o VOTO NULO o Presidente do TSE, o Presidente do TRE do Rio de Janeiro, o Frei Beto e o Deputado Federal Fernando Gabeira. A subterrânea campanha do VOTO NULO incomoda todos os segmentos que disputam o controle do poder, porque retira deles a certeza de que são titulares das iniciativas decisivas no plano político. Em razão da possível avalanche de VOTOS NULOS a direita reacionária militarizada é incapaz de avaliar a reação a um golpe de Estado e, portanto, deixa de cogitar rupturas e se concentra na disputa eleitoral. A esquerda tem horror ao VOTO NULO porque pode sair enfraquecida da disputa. O enfraquecimento da esquerda afeta setores da Igreja que apóiam Lula em razão dele ainda ser útil aos seus propósitos. Os membros da Justiça Eleitoral também rejeitam a opção do VOTO NULO porque se o movimento crescer e se propagar em eleições futuras eles se tornarão desnecessários. Apesar da pública e notória reação de influentes personalidades, muitas pessoas ainda não acreditam que a CAMPANHA DO VOTO NULO seja capaz de modificar substancialmente a realidade brasileira. Gostariam que ela tivesse mais espaço na mídia, como se a imprensa fosse capaz de construir realidades. O único conforto que posso dar a estas pessoas são as palavras de Caio Julio César, registradas em sua obra Guerra Civil “Nonnulla etiam ab iis qui diligentiores uideri uolebant fingebantur.”. Antonio da Silveira Mendonça traduziu esta passagem como “Algumas notícias eram fruto da imaginação mesmo daqueles que queriam passar por mais bem informados.” Desde tempos imemoriais os seres humanos se dedicam a divulgar fatos e a inventá-los tendo em vista algum propósito nobre ou escuso. A evolução dos meios de comunicação só reforçaram esta característica humana. Portanto, se a CAMPANHA DO VOTO NULO não ganha muito espaço na mídia fique tranqüilo e continue a divulgá-la subterraneamente. A realidade quase sempre é mais dinâmica e mais complexa do que gostariam as pessoas que relatam ou inventam os fatos. E a omissão da grande imprensa de cobrir a CAMPANHA DO VOTO NULO não é capaz de deter o movimento ou de reduzir sua importância e alcance político. Fábio de Oliveira Ribeiro |