PRÉVIAS
AMERICANAS OU CORRIDA DE JUMENTOS?
Um dos grandes
problemas do jornalismo político é o predomínio
da seriedade. É claro que a Política é uma coisa
séria, entretanto, a maioria dos políticos são
atores cômicos (com exceção dos canastrões,
é claro). Aqui e nos EUA a Política tem oscilado entre
a tragédia, a comédia e a farsa. Sendo assim, o jornalismo
político deveria abandonar um pouco a seriedade. Tratar com
teatralidade o teatro da Política seria a melhor coisa que
os jornalistas poderiam fazer.
Foi dada a largada. Os jumentos partiram em desabalada carreira. Estão
cabeça a cabeça e ainda não se sabe quem chegará
primeiro na linha final.
Se acha que estou a narrar uma corrida no sertão do Ceará
enganou-se. Estou a falar da disputa pelo controle dos EUA. O fim
do império já foi declarado pelo NYT no dia em que a
China disse qual a taxa de juros o Federal Reserve deve praticar.
Mas só ao final da disputa presidencial saberemos quem ficará
encarregado de apagar a luz e fechar as portas da Casa Branca.
Os contendores são:
Hillary Clinton
DEFEITO: Esposa
do Bill Clinton, aquele que fumou maconha e não tragou e depois
deu o pirulito para uma estagiária chupar no Salão Oval.
Apesar do pirulito do marido ir parar na boca de outra, ela não
deu as contas para o mesmo. O esposo da candidata mandou, com a aquiescência
dela, bombardear a fábrica de remédios de Al Shiffa
no Sudão.
Barack Obama
DEFEITO: É
um candidato muito sorridente. Ta rindo do que, bestão? Da
desgraça que os EUA espalharam ao redor do globo sob Bush II?
Este candidato tem o apoio dos afro-americanos famosos, como aquele
lutador que arrancou com os dentes a orelha de um companheiro de trabalho.
Também é apoiado pelo jogador de futebol americano que
mandou a mulher para o cemitério.
John Edwards
DEFEITO: É
advogado. O mundo seria melhor se tivesse menos advogados. Se eleito
vai defender os interesses americanos com base na Lei do mais forte.
Mike Huckabee
DEFEITO: É
fundamentalista cristão, contra o aborto, a favor do comércio
livre de armas, apóia a pena de morte e pretende intensificar
a guerra no Iraque para onde quer enviar mais tropas. É tão
feio e tão escroto quanto o Bush II, mas comete menos gafes.
Rudolph Giuliani
DEFEITO: Defensor
da tolerância zero. Com ele na Casa Branca todo mundo vai levar
porrada: os terroristas, os não terroristas, os inimigos e
os aliados. Este candidato defende o uso da “tortura humanitária”
nos interrogatórios.
Mitt Romney
DEFEITO: Este
candidato é o que existe de mais grosso em matéria de
finura. Mórmon e ultraconservador, Romney não bebe (álcool,
café e chá), no fuma e não fode (o animal só
faz sexo para procriar). É contra o aborto, portanto, sua mãe
cometeu um engano ao ter rejeitado a oportunidade de mandá-lo
para Deus antes do parto.
Com tanto jumento na disputa pela Presidência dos EUA o melhor
resultado para o mundo é... um empate técnico! Mas também
aceitaríamos com alegria uma desistência em massa, mas
isto não ocorrerá. Portanto, vale a pena discutir as
prévias sob outro ponto de vista.
“Agora que os conglomerados podem dominar as expressões
de opinião que enchem a mente dos cidadãos e selecionar
as idéias que serão mais amplificadas, de modo a abafar
as outras que, sejam lá quais forem suas validades, não
têm patronos ricos, o resultado é um golpe de Estado
de fato, derrubando o domínio da razão. A cobiça
e a riqueza hoje alocam poder na nossa sociedade, e esse poder, por
sua vez, é usado para fazer aumentar e concentrar ainda mais
a riqueza e o poder nas mãos de poucos. Se isso lhe parece
histérico demais, por favor continue a ler, porque apresentarei
exemplos.”
O fragmento acima não foi escrito por alguém desinformado,
maníaco depressivo ou dominado por síndrome persecutória.
O texto é da lavra de AL GORE (O Ataque à Razão,
editora Manhole, 2007), Vice Presidente na gestão Bill Clinton
e reconhecido mundialmente por causa de seu ativismo ecológico.
Você se pergunta quem são os candidatos a Presidente
dos EUA. Neste caso específico, acho que a pergunta poderia
ser outra. Afinal, me parece que pouco importa quem será o
próximo ocupante da Casa Branca. Há um século
a “Besta de Jefferson” tem sido comandada de fato pelas
corporações petrolíferas, pelos mega-instituições
bancárias, pelo complexo industrial-militar e, é claro,
pela mídia monopolista. Não dá para acreditar
que a política externa americana será modificada só
porque Hillary Clinton ou Barack Obama tem outras prioridades.
Há alguns anos publiquei na internet o texto IMPÉRIO
DO MEDO, do qual gostaria de destacar a seguinte passagem:
“A cada década fica mais claro que os EUA é uma
democracia capitalista que depende fundamentalmente da guerra externa
para sustentar seu modelo político e crescimento econômico.
As empresas que estão envolvidas direta ou indiretamente com
a produção de armas de destruição em massa
contribuem para a eleição do Presidente e obtém
autorização seletiva para a exportação
de seus produtos. Os contratos rendem trilhões de dólares
e impostos que são utilizados para manter os contratos de fornecimento
de equipamento aos militares americanos. Quando os aliados/compradores
de armas e matérias primas e bens de capital necessários
à fabricação destas se rebelam (caso específico
de Saddam Hussein), a Casa Branca declara-os inimigos. Segue-se uma
campanha diplomática para legitimar a nova guerra externa.
A campanha militar acarreta a destruição dos estoques
estratégicos e novos contratos de fornecimento são celebrados
entre o Pentágono e os fabricantes de armas. Além disto,
a destruição do inimigo cria novas possibilidades econômicas.
E a reconstrução será realizada preferencialmente
pelas subsidiárias das empresas americanas que operam na Europa
ou que se instalarão no local logo após o fim das hostilidades.
O discurso oficial da ONU e dos aliados dos EUA (Inglaterra, Canadá
e França) se encarrega de disfarçar o imperialismo romano-americano
e obter apoio e silêncio obsequioso da comunidade internacional.
Por fim, o império
do medo pratica o terror de Estado ao redor do mundo e se nutre da
rebeldia dos aliados/compradores de armas e dos atentados praticados
por terroristas desesperados. Será que Saddam Hussein, Bin
Ladem e seus seguidores suspeitam que são inimigos úteis
aos interesses dos EUA?”
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/12/340874.shtml
A história é impassível e nos fornece exemplos
suficientes para concluir que quando uma sociedade adquire determinada
dinâmica esta só é interrompida com uma derrota
avassaladora. Desde os anos 1970 declina a participação
da economia americana no PIB mundial. Sem as guerras este declínio
teria sido mais rápido e acentuado.
Por fim devemos lembrar que a “Guerra ao Terror” anunciada
por Bush II já originou duas batalhas extremamente rentáveis
(Afeganistão e Iraque). Os principais atores econômicos
norte-americanos que abocanharam bilhões de dólares
com a destruição daqueles dois paises contam com os
lucros que a “Guerra ao Terror” ainda pode render. Certamente
farão o que for necessário para que a mesma dure por
tempo indeterminado. Se algum presidente quiser interrompê-la
atrairá o ódio mortal da elite econômica e militar
americana.
Fábio
de Oliveira Ribeiro