REVISTA CRIAÇÃO

A QUEDA

Este fim de semana fui ao Conjunto Nacional, na Av. Paulista, São Paulo SP, assistir ao filme A QUEDA. Já havia lido BERLIM, 1945: A QUEDA, de Antony Beevor, e estava realmente curioso para saber como seria retratado o führerdämmerung (crepúsculo do líder) no cinema.

O filme se concentra no cotidiano dentro do bunker de Hitler, sob a Chancelaria do Reich. À medida que os exércitos russos se aproximam de Berlim e, depois, do centro do poder nazista, o moral desmorona continuamente.

Não demora muito para que os figurões do partido nazista se ponham a fugir. Goering e Himmler abandonam Hitler. Cada um deles reivindicaria a condição de sucessor do führer antes mesmo que ele morresse. Vários militares de alta patente se suicidam ou se entregam a bebedeira.

Hitler procura manter a altivez. Tem acessos de raiva, repreende seus generais chamando-os de covardes. Dá mostrar claras de que nunca irá deixar Berlim ou ser preso vivo. Parece ter consciência de que a guerra está perdida e que pretende salvar sua imagem. Manobra exércitos que só existem nos mapas, ordena ataques inviáveis e sonha com uma vitória impossível.

Enquanto o führer devaneia, sua amante procura se divertir e a esposa de Goebels trama a morte dos próprios filhos. Acaba executando seu plano macabro com ajuda do Ministro da Propaganda. Ambos também se suicidam.

Uma jovem secretaria que fora recrutada dois anos antes do colapso assiste a tudo atordoada. É sua a perspectiva da tragédia. Ela não compreende o que está ocorrendo, acredita na vitória até o derradeiro momento. Ao contrário de muitos militares que procuraram salvar a própria pele fica ao lado do líder até o derradeiro momento. Hitler executa um suicídio meticulosamente preparado. Seu corpo é queimado para que não possa ser identificado.

Os exércitos russos tomam Chancelaria do Reich e a guerra acaba. Para muitas das pessoas que participaram da loucura nazista começaria uma nova, silenciosa e intima guerra. Por que deram aos nazistas poderes para destruírem suas próprias vidas?

O führerdämmerung é realmente assombroso. E foi transposto para a tela grande com bastante maestria. Um filme que merece ser assistido várias vezes. Principalmente pelos petistas, neste momento em que o Lula enfrenta o crepúsculo de sua liderança. Afinal, a exemplo de Hitler, Lula também teve origem humilde, pouca escolaridade formal e conseguiu cativar os intelectuais se dizendo preocupado com justiça social. Ambos fundaram partidos nacionalistas e socialistas que rivalizaram com os partidos comunistas tradicionais (PT e Partido Nazista). No início de suas carreiras políticas os dois foram presos. A principal característica política deles sempre foi o carisma e a capacidade de seduzir os trabalhadores em períodos de crise econômica. Lula e Hitler chegaram ao poder com o apoio dos empresários, atacando a ganância dos banqueiros e apelando para a emotividade dos eleitores. Terão o mesmo destino?


Fábio de Oliveira Ribeiro

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