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RADICALISMO VERDE
Quase dois séculos depois, pouca coisa mudou. As péssimas condições de vida da maioria dos operários no terceiro mundo são similares às denunciadas por Engels. O capitalismo modernizou-se, adotou uma postura mais humanitária, mas a regra da apropriação individual do lucro continua a proporcionar o enriquecimento dos empresários e a amargura dos operários, cujo padrão de vida no terceiro mundo é lastimável. A intensificação da industrialização e do comércio desaguou num verdadeiro colapso ecológico. Durante dois séculos os empresários se apropriaram dos lucros e não se preocuparam com os resíduos que produziam. Quando o problema ecológico surgiu, transferiram para o Estado a obrigação de gerir o problema que eles criaram. Agora que estão correndo o risco de ficar atolados em embalagens, os pobres empresários querem mostrar que são bonzinhos. Até criaram produtos ecológicos para faturar em razão da catástrofe anunciada pela imprensa. Mesmo aqueles que se dizem ecologicamente corretos continuam a produzir resíduos poluentes – este é o caso da indústria do álcool, que segundo o Lula vai salvar o planeta ao mesmo tempo em que os canavieiros enchem a atmosfera de gases resultantes da queima dos canaviais antes da colheita. Durante o século XIX a luta contra o capitalismo ocorreu de maneira violenta. Sabotagens, greves, atentados, guerrilhas, valia de tudo para humanizar a sociedade. Não deve demorar muito para os ecocomunistas se tornarem um pouco mais radicais do que os ecologistas. Alguém ficará surpreso se começarem a ocorrer sabotagens nas empresas poluidoras, se um novo movimento verde surgir e começar a depositar nas portas das casas dos empresários que enriquecem poluindo algumas toneladas dos resíduos que as indústrias deles produzem? No dia em que a piscina de um usineiro amanhecer cheia de melaço, ele certamente começará a pensar mais carinhosamente em não jogar resíduos de canavial queimado na nossa atmosfera.
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