Reflexões
sobre a poesia na rede
Salvo algumas exceções, como é o caso da poesia concretista, a literatura não tem uma preocupação visual. Embora a palavra se preste perfeitamente à construção de imagens na mente do leitor, estas não podem desde logo percebidas pelo seu olho. Porém, a informática está acabando com os limites entre literatura e imagem. A proposta do autor das obras deste site é levar esta nova tendência ao seu limite extremo. Nele o leitor/observador verá que as obras literárias estão intimamente associadas às imagens que as contém. Imagens estas que estabelecem um referencial de leitura sem o qual o conteúdo da obra escrita se perderia no vácuo de uma multiplicidade de interpretações possível. Como por exemplo no poema A CRIAÇÃO que encontra-se hospedado neste site. Nele, a chave para a interpretação se desloca do texto para a imagem, de maneira a dar ao leitor tanto uma representação gráfica do texto escrito quanto uma teoria sobre a obra pintada por Michelangelo no teto da Capela Sistina. A proposta de imagoliteratura não é nova. De certa maneira já vem sendo explorada na mídia pelos artistas que se devotam a criação de propaganda. A diferença é que fazemos isto não para vender produtos, mas apenas para criar no leitor/observador uma sensação estética. Nossas obras estão dissociadas de outros produtos ou serviços. Não pretendemos conquistar uma fatia do mercado consumidor, mas fazer os consumidores fluírem sem consumir. Nossa proposta, portanto, é recuperar o potencial expressivo da palavra e da imagem que foram banalizados pela midia, que infelizmente reduz tudo ao lucro. Prepare-se para consumir um novo tipo de arte. Como o que é novo não pode prescindir do velho, segue-se que dialogaremos com a tradição. Em que medida isto será feito? De duas maneiras. Nós faremos um tributo à toda tradição literária e imagética. Mas não nos deixaremos hipnotizar por sua autoridade. Ao contrário, desmontaremos e reconstruiremos ao sabor de nossas próprias concepções estéticas as obras da tradição, proporcionando ao leitor/observador novas obras de arte, fruto de nosso próprio tempo e recursos tecnológicos. Fábio de Oliveira Ribeiro |