REVISTA CRIAÇÃO
 

RELAÇÕES ENTRE AS ELEIÇÕES E
A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA

Durante quatro anos o atual Presidente do Brasil baseou sua política externa para o Continente Sul-Americano na integração com os visinhos. Na verdade este processo já vinha sendo construído há algumas décadas. Entre as iniciativas bem sucedidas da política externa brasileira se destacam a Usina Hidroelétrica de Itaipu, construída em parceria com Paraguai, a celebração do acordo para criação do Mercosul, a construção do gasoduto para importação de gás natural da Bolívia e de linhas de transmissão de energia elétrica para abastecer parte da Venezuela.

A eleição e posse do índio Evo Morales complicaram as relações bilaterais entre Brasil e Bolívia. A Petrobras (empresa estatal brasileira) investiu bilhões de dólares na construção da infra-estrutura necessária a exploração do gás boliviano, cujas reservas Evo Morales pretende nacionalizar. Caso adote uma política de preços exorbitantes, o Brasil pode acabar encontrando outras fontes e exigindo indenização pelas despesas que efetuou naquele país o que certamente abalará ainda mais a frágil economia Boliviana (o comércio bilateral com o Brasil responde por 18% do PIB boliviano e o gás ocupa uma posição de destaque como produto adquirido pelos brasileiros).

Até o momento as negociações têm transcorrido normalmente. Contudo, Evo Morales adicionou um complicador à questão. Esta semana, durante uma reunião do BID que está ocorrendo no Brasil, o presidente da Bolívia usou a impressa brasileira para divulgar sua intenção de nacionalizar as jazidas de gás. Enfatizou, ainda, que seu país precisa de parceiros não de patrões, dando a entender que as relações entre Brasil e Bolívia não tem sido satisfatórias para os bolivianos. A Bolívia tem todo o direito de fazer o que bem entender com suas reservas naturais, mas não pode simplesmente ignorar os investimentos já feitos pelos brasileiros em seu território porque é evidente que o Brasil defenderá seus interesses.

A lua-de-mel entre Evo Morales e Lula acabou. E mais, a política interna do presidente boliviano pode afetar a dinâmica das eleições presidenciais brasileiras. Caso ceda às reivindicações do presidente boliviano Lula será acusado de fraqueza pela direita e por setores da esquerda. Se endurecer e decidir pela suspensão de aquisição de gás boliviano haverá desabastecimento no Brasil e os consumidores serão diretamente afetados.

As relações amistosas entre Lula e Hugo Chávez também estão abaladas. Apesar da integração elétrica, Chávez está nacionalizando todas as companhias que exploram petróleo na Venezuela. A Petrobras também opera naquele país e cedeu às reivindicações bolivarianas. Para alguns, Lula deveria ter endurecido mais com Hugo Chávez, pois os venezuelanos também não podem ignorar os interesses petrolíferos do Brasil em razão da parceira elétrica ser amplamente benéfica à Venezuela.

Quaisquer que sejam as soluções para os conflitos de interesses entre Brasil/Venezuela e Brasil/Bolívia o fato é que a política interna brasileira está sendo afetada pelas relações com seus visinhos. As próximas eleições serão as primeiras que ocorrerão sob o signo desta nova realidade. Preocupada com a popularidade de Lula, a oposição estimula o debate para desgastar ainda mais Lula. Entretanto, não percebe que está criando uma armadilha na qual ficará presa. Quando esteve no poder o PSDB conduziu a política externa do Brasil sem dar satisfações à população e não poderá mais fazer o mesmo caso seu candidato seja eleito. A estratégia eleitoral que está adotando modifica a dinâmica da política externa brasileira colocando em cena o cidadão.

Desconfiado, o cidadão pergunta: A oposição está distribuindo malas de dinheiros aos Presidentes dos visinhos para dificultar a reeleição de Lula? O governo brasileiro submeterá sua política externa às necessidades eleitorais de Lula?

É evidente que não temos as respostas para estas perguntas. Entretanto, na medida em que fazemos questionamentos desta magnitude, pressupomos um cenário eleitoral que envolve conflitos de interesses internacionais. A grande maioria dos brasileiros sempre foi mantida distante dos debates sobre política externa. Quando começar a interferir nos destinos do país, a racionalidade da atuação do Ministério das Relações Exteriores irá para o ralo, interesses privados serão afetados adicionando ainda mais gasolina à política interna.

A previsão do tempo é absolutamente interessante: tempo quente com formação de nuvens de tempestade no horizonte. Que venha a tempestade porque este clima ameno tem prejudicado sobremaneira milhões de brasileiros.

Correção: tempo bom para quem pretende fazer campanha do VOTO NULO. A polarização entre Lula e Alckimim facilita sobremaneira a tarefa de fazer propaganda do voto nulo.

Lula representa o desastre da esquerda brasileira. Eleito num clima de otimismo e esperança, o ex-sindicalista concedeu um especo privilegiado aos petistas corrompidos. Ignorou de maneira tão sistemática a colaboração da esquerda do PT que forçou a criação do P-SOL. Apesar do blá-blá-blá social seu governo foi lastimável. Lula não regulamentou o IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS e não mudou os rumos da política econômica de FHC, acarretando uma redução da participação dos salários no PIB. Com Lula os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres.

Alckimim é o garoto propaganda dos sonhos da direita tupiniquim. Tem se empenhado muito na aliança com o PFL. Pretende, portanto, sentar no colo dos legítimos herdeiros dos articuladores civis do golpe de 1964, dos mesmos que ajudaram os militares na condução da transição lenta, gradual e segura e votaram contra as Diretas Já. À frente do governo paulista, Alckimim construiu mais celas em presídios do que salas de aula nas universidades estaduais. Sua política pode ser resumida numa frase “mais vale um pobre preso do que um cidadão com formação universitária”.

A dançarina da pizza fez um grande serviço público ao país. Ela mostrou como os deputados representam apenas a si mesmos e não aos seus eleitores. O episódio grotesco mostrou á todos que os compromissos entre os parlamentares são mais importantes que o compromisso deles com a moralidade administrativa, que a certeza de impunidade é tão acintosamente cultuada que mesmo quando apanhado numa saia justa o parlamentar sente-se vítima da mídia e procura a toda força fazer sua versão prevalecer. A deputada pé-de-valsa fortaleceu a campanha do voto nulo. Na verdade a “dançarina da pizza” está prestes a ser transformada na “dançarina do voto nulo”, pois sua atitude era o que anarquistas precisavam para realizar uma campanha tão rasteira quanto tem sido rasteira a política brasileira.


Fábio de Oliveira Ribeiro

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