REVISTA CRIAÇÃO

A REPÚBLICA DOS ADVOGADOS


Segundo matéria recentemente publicada na revista Exame os advogados estão em alta:

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Além de ressaltar o elevado salário dos advogados envolvidos nos negócios, o artigo assegura que “... poucos profissionais ganharam tanto prestígio nas grandes empresas brasileiras quanto os advogados. Antes limitados a resolver pendências na Justiça -- dos habituais processos trabalhistas a brigas contratuais --, os departamentos jurídicos se transformaram em áreas estratégicas dos negócios. Hoje, advogados estão envolvidos em movimentos que vão dos processos de internacionalização à abertura de capital nas bolsas de valores, da adequação às regras internacionais de governança corporativa à gestão de eventuais crises de imagem.”

Como sou advogado fiquei bastante satisfeito ao saber que minha profissão está valorizada. Entretanto, como cidadão que se preocupa com os destinos deste país só posso lamentar a valorização de uma profissão que não cria valor.

Todos os paises que deram um salto em direção ao futuro apostaram no desenvolvimento da tecnologia e priorizaram a formação de engenheiros.

Malásia e Coréia do Sul revolucionaram suas economias em duas décadas ao apostarem no desenvolvimento e exportação de processos e produtos tecnológicos com alto valor agregado. Japão e Alemanha se recuperaram da destruição imposta pela II Guerra Mundial exportando produtos industrializados.

A China é um exemplo impar. Sob o Pequeno Timoneiro, Deng Xiao Ping, o dragão do oriente deixou de ser um país que exportava matérias primas e produtos alimentícios para se transformar num dos maiores produtores e exportadores de produtos de informática e comunicação de ponta.

Ao contrário dos exemplos acima apontados, o Brasil segue exportando predominantemente matérias primas e alimentos, produtos com baixo valor agregado. Em razão da necessidade de modernização, nosso país importa bens de capital e produtos industrializados de alto valor agregado. O resultado é bem conhecido: saldos comerciais ridículos e reservas em dólar insuficientes para agüentar as turbulências internacionais.

Ao invés de comemorar só posso lastimar a excessiva valorização dos advogados. Eles encarecem os setores administrativos das empresas e não produzem um choque de modernização nos departamentos técnicos e de pesquisa.

No princípio do século XX o escritor Lima Barreto costumava escandalizar a sociedade carioca com suas crônicas. O mulato se tornou perito em ridicularizar principalmente os advogados porque naquele tempo bastava ser um bacharel em direito para arrumar um emprego público em qualquer repartição (mesmo naquelas em que eram necessários conhecimentos de outras áreas científicas). Um século e duas guerras mundiais depois, o Brasil continua sendo basicamente uma república de advogados, lamentavelmente.

Fábio de Oliveira Ribeiro
advogado

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