REQUIÉM PARA OS MERCADORES DA CULTURA
Além do apodrecimento da cultura intelectual, o regime dos direitos autorais fez surgir os mercadores da cultura. Existem dois tipos de obras de arte. Algumas se identificam de tal maneira ao suporte que não podem ser comercializadas em escala porque a cópia compromete a autenticidade e originalidade da obra (pintura e escultura). Outras têm características imateriais e dependem da existência de vários suportes para se tornarem conhecidas do público (literatura, música, cinema). A revolução industrial possibilitou a produção em escala industrial de livros, discos de vinil, CDs e DVDs. Entretanto, o elevado capital investido na produção destas mercadorias fez com que os músicos se tornassem servos das gravadoras e os escritores escravos das editoras. Ninguém precisa ser um expert para perceber que a preponderância dos interesses mercadológicos acarretou a queda da qualidade da produção cultural. Se o CD do Tiririca vende mais que o da 9ª Sinfonia de Beethoven, foda-se o alemão porque o que interessa é o lucro – raciocina o mercador. Foi neste contexto que a Internet surgiu e aboliu a necessidade de suportes materiais para obras de arte imateriais. Não demorou muito para a inovação produzir estragos em todos os setores. Hoje os filmes podem ser distribuídos através da Internet. A própria rede mundial de computadores pode ser utilizada na captação de recursos para produção dos mesmos. As músicas se tornaram arquivos digitais compartilhados livremente para desgosto dos mercadores da cultura. Os próprios músicos podem comercializar suas obras através da Internet. Idem para os escritores. A criatividade humana não tem limites mercadológicos, industriais e jurídicos na Internet. Quem não souber ou não quiser surfar nesta onda de criatividade ilimitada pagará um alto preço ou se tornará irrelevante. Espero sinceramente que os mercadores da cultura se amoldem às necessidades. Mas se falirem não vou chorar, nem deixar de consumir música, literatura, etc à um preço justo. |