O RURALISMO DA MÍDIA TUPINIQUIM E O CDC É interessante como a imprensa brasileira distribui adjetivos de uma maneira seletiva. Os dois casos abaixo são exemplares. Quando tratam das ações dos militantes
do MST os jornalistas quase sempre usam o adjetivo “vandalismo”
e “vândalos”: Além de “vândalos” os militantes do MST tem sido chamados até de “criminosos” e “terroristas” na imprensa brasileira. Mas quando os “vândalos”, “criminosos” e “terroristas” são produtores rurais franceses os jornalistas dizem: “A principal avenida de Paris, Champs-Elysées,
foi bloqueada nesta sexta-feira por 50 agricultores que protestam
pela redução de seu faturamento em um dia nacional de
manifestações.” O que aqui é vandalismo ou terrorismo lá é manifestação. Aqui os manifestantes são “vândalos”, “criminosos” e “terroristas” lá são apenas “produtores rurais”. Uma no cravo outra na ferradura. Me engana que eu gosto. Este tipo de contorcionismo verbal deveria acarretar a responsabilização civil das empresas de comunicação. Afinal, o produto que elas estão oferecendo coloca em risco a inteligência dos consumidores (art. 10, do CDC) e isto deveria acarretar a responsabilização dos produtores e difusores dos textos jornalísticos (art. 12, do CDC). Aliás, é difícil saber se os textos sobre o MST são jornalísticos ou ruralísticos. Sempre que pode o Presidente do STF vai a TV para proferir opiniões jurismidiáticas. Onde está o senhor Gilmar Mendes que não exige com dedo em riste a aplicação do art. 170, V, da CF/88? Ele se esqueceu que a constituição que jurou defender também protege os consumidores de notícias dos abusos da mídia ruralista? Fábio de Oliveira Ribeiro |