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24 de março de 2007
Hoje, quando acordei, imediatamente os seguintes pensamentos vieram à minha mente: •
Aniversário da minha irmã Sobre o aniversário da minha irmã, primeiramente pensei em mandar um recado pelo Orkut, mas, não sei por qual motivo, não a localizei. “Tudo bem. Cada um tem as suas razões para tomar decisões e agir. Ela deve ter tido os seus próprios motivos para se camuflar ou encerrar o cadastro no Orkut, os quais, no momento, desconheço.”, pensei. Então imaginei as possibilidades de lhe mandar um e-mail ou tomar uma dose maior de coragem para ligar e lhe dar os parabéns. Soluções estranhas para cumprimentar a própria irmã? Nem tanto... principalmente depois de anos sem nos falarmos por motivos que, felizmente, já passaram. Foi aí que lembrei do sonho que tive e resolvi escrever para ela. Se eu liguei o computador e acessei a Internet no Shutdown Day? Agora você sabe que sim, mas apenas para o estritamente necessário. Por isso, não encarei esta atitude como uma fraqueza ou um boicote. Afinal, além do livre arbítrio, o computador é um equipamento tão útil quanto outro qualquer (como um forno microondas, uma geladeira ou uma máquina de lavar, por exemplo, que fazem tanta falta quando quebram!) e Internet não existe apenas para entretenimento: é um meio de comunicação até mais poderoso que o rádio e a televisão porque, quando bem utilizado, serve para nos manter informados e conscientes sobre o que acontece no mundo e com as pessoas em geral, serve para combater a passividade e a alienação, na medida em que nos permite ler e publicar opiniões, e, ainda por cima, nos livra das filas dos Bancos para pagar contas e nos permite conhecer ótimas pessoas. Se eu senti falta de acessar Orkut, MSN, Blogs e Fotologs neste dia? Sinceramente (e acho que para a decepção de alguns amigos que freqüentemente ficam online nesses meios e, por saudade ou preocupação, me perguntam por onde ando quando não me encontram): não nesta data. Mas que fique bem claro que não desmereço nenhuma conversa que tive por MSN. Quantas vezes, da falta inicial de assunto, surgiram tantas trocas de idéias, informações, esclarecimentos e aprendizados? É que prefiro conversar quanto realmente tenho algo para perguntar, comentar ou alguma novidade para contar (o que é raro... por isso fico a maior parte do tempo offline...). Por que eu exponho mais o que penso ou mostro mais o que sou por escrito (seja por e-mail, Orkut, MSN) e fujo do contato direto com as pessoas? Não sei. A única coisa que sei é que, apesar de às vezes me sentir como uma cobaia, que está procurando se ajustar da forma mais saudável possível nesta relação com a Internet, não quero que afastar desta experiência. Até porque, mesmo sem ainda ter consciência e entender os reais motivos (talvez por apenas fazer parte e não ter chegado ao estágio de analisar os fatos de uma perspectiva “de fora”), é esta relação que está me ajudando. E é o que, por enquanto, importa. Principalmente porque neste pouco tempo (menos de um ano) em que estou me relacionando com a Internet de uma forma mais participativa, apesar das angustiantes polêmicas, felizmente só encontrei excelentes pessoas. Não tirei CRP e, justamente por isso, respeito, admiro e incentivo meus amigos atuantes ou estudantes de Psicologia. Acho que me realizo por meio deles. Mas lamento dizer que não sinto vontade de fazer psicoterapia para tentar entender tudo isso (e muito menos de ser analisada). No momento, prefiro aprender com a vida e com os amigos com quem compartilho o que penso e sinto por e-mail. É que apesar da relação terapêutica em um consultório ser muito mais preservada, sigilosa e direta, a vantagem da relação pela Internet é que recebo feedback de várias pessoas, com diferentes pontos de vista, e ainda mantenho vivo o meu círculo de amizades, sejam virtuais ou não. Também prefiro mil vezes a participação, as discussões e as advertências virtuais (hoje por mim vistas como naturais, pela divergência de opiniões, e necessárias à conscientização e educação de qualquer pessoa), pois são elas que me tiram da passividade e da alienação. Só não acho normais os linchamentos e ofensas com xingamentos ou palavras de baixo nível na Internet. Fazendo um link, sempre me perguntei porque as mesmas pessoas que se utilizam de metrô e trem têm comportamentos e atitudes diferentes quando mudam de meio de transporte: são educadas (ou contidas) no metrô, mas, assim que entram num trem da CPTM, não hesitam em jogar lixo no chão, falar demasiadamente alto ou colocar os pés sobre os assentos... Ora, a educação (e não formalidade) deve ser a mesma em qualquer lugar, independentemente do seu estado de conservação e do clima de liberdade. Assim, não faz o menor sentido tratar com polidez (ainda que de forma forçada, falsa e até irônica) alguém por quem não se tem simpatia, em nome da boa regra de convivência e educação, e “descer a lenha, com baixo nível”, na Internet. Além do mais, quem disse que não há regras de boa conduta na Internet? Elas podem não estar registradas, mas são perceptíveis com o tempo. Ou será que ninguém sabe que não é obrigatório, mas é de bom tom deixar um simples recado quando se convida ou se aceita um convite para fazer parte da lista de amigos no Orkut? Que é aconselhável se informar sobre o que anda acontecendo em uma comunidade, ao tornar-se membro dela, para não “cair de pára-quedas” e postar tópicos que não têm nada a ver com o seu objetivo? Ou que não é recomendável opinar utilizando-se de gírias ou “internetês” em sites de debates que abordam temas de forma mais séria e até científica? Mas isso foi só um devaneio... vou mudar de assunto porque não quero parecer nenhuma moralista. E quem disse que emoção e sentimentos não “passeiam” ou não são despertados pela Internet? Mas também é melhor não entrar nesse assunto (agora eu estou fugindo mesmo... rsrsrs). Trabalho com treinamento e sei que os cursos online, os videotreinamentos e as cartilhas não substituem os cursos presenciais. Da mesma forma, os relacionamentos virtuais não substituem o contato direto com as pessoas. Na verdade, vejo a tecnologia e a Internet como recursos a mais de comunicação e interação que, se utilizados adequadamente, podem acrescentar muito e enriquecer nossas vidas. Sem falar que, quando necessário, é possível, de alguma forma, contatar uma pessoa (ainda que ela não queira ser achada), seja por telefone, celular, e-mail, MSN, recado no Orkut, Skype etc. Nesse sentido, todas as formas de comunicação são válidas. Agora as perguntas finais: Por que escrevi tudo isso? Atender à proposta do Shutdown Day de contar, no dia seguinte, o que fiz neste sábado? Não. Registrei as minhas idéias para que elas não se percam em pensamentos e ter a possibilidade de, depois de algum tempo, reler o que escrevi para me enxergar de uma outra perspectiva (“de fora”) e, quem sabe, rever e mudar alguns conceitos. Mas se escrevi para mim mesma, porque estou enviando estas idéias por e-mail aos meus amigos? Auto-afirmação? Vaidade e necessidade de ser vista pelos outros como alguém que pensa? Pode ser... (infelizmente nem todos os motivos são tão nobres). Interesse em compartilhar idéias e aprender com outros pontos de vista? Também pode ser. Interesse em que me conheçam melhor e, dessa forma, possa me aproximar dos amigos e vice-versa? Também pode ser. Mas, caro diário, quer que eu lhe conte, de verdade, por que estou enviando este e-mail aos meus amigos? É apenas uma desculpa para dizer que AMO TODOS ELES! E que não sou nenhuma intelectual e muito menos produzo conhecimento! Pelo contrário! Admiro e aprendo com cada um, pelo que são, pelo que fazem e por suas particularidades! E que espero vê-los sempre bem e firmes em seus propósitos! E por que senti a necessidade de dizer isso aos meus amigos? Porque cada vez mais venho constatando que NADA É POR ACASO. Acho que não foi à toa que me lembrei de um sonho estranho no dia do aniversário da minha irmã e no Shutdown Day: sonhei que estava num velório de uma pessoa desconhecida! (eu, hein?!). Isso tudo me fez pensar que a finalidade de “Dias Internacionais” ou datas comemorativas (inclusive aniversários) não é apenas a lembrança do motivo desses dias especiais, mas a reflexão e a oportunidade que eles nos proporcionam. Por isso, mesmo com tantas coisas para fazer (já que a vida não pára!), o meu sonho me trouxe à consciência de que poderia não estar mais nesta vida no dia seguinte e, por este motivo, me levou a buscar cumprimentar a minha irmã pessoalmente e a contar esta história verídica aos meus verdadeiros amigos. Agora vou desligar o computador, me conectar ao momento presente e cuidar das tarefas que fazem parte da minha realidade. Acho que essa foi a maior contribuição do Shutdown Day na minha vida: aprender quando devo ligar e desligar o computador e evitar deixar que o mundo virtual controle ou prejudique o meu mundo real. Magda
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