REVISTA CRIAÇÃO

SOBRE BISPOS, EDITORES E LEITORES (LIVRES DE AMBOS)

Escrevi em algum lugar qualquer que a Internet está a provocar uma verdadeira revolução no jornalismo só comparável á invenção da imprensa.

A invenção de Gutemberg não somente condenou os copistas medievais à extinção, mas acabou com a autoridade do discurso eclesiástico ao possibilitar a reprodução barata de livros e, em razão disto, a popularização da alfabetização. E nunca é demais lembrar que na Idade Média a grande maioria das pessoas (servos da gleba, nobres e reis) era irremediavelmente dependente dos clérigos em virtude de ser analfabetos.

Entretanto, não demorou muito para que alguns se apropriassem do poder de construir as realidades através dos livros e, principalmente, dos jornais. Durante a “era gutemberguiana” a democratização da informação acabou sendo limitada em razão da distinção entre os destinatários e os produtores da mensagem.

É por isto que os editores dos "jornalões" de meados do século XX podem muito bem ser comparados aos bispos de antanho. A autoridade dos bispos era temporal, a dos editores intelectual. Em razão de definir o que publicar e com qual ênfase os novos bispos podiam transformar seu recorte de realidade na realidade mesma a ser vivenciada pelo público (o que convenhamos não é pouco).

Na medida em que permitiu aos próprios leitores construir seu recorte da realidade e oferecê-lo ao público e aos jornalistas, a Internet não só democratiza a informação, mas o poder que decorre de sua produção e difusão. Sem a Internet nós, os leitores, estaríamos condenados a mais enfadonha passividade.

Agora especulamos e nossas especulações fecundam a produção de intelectuais mais bem preparados e de alguns não tão preparados assim. A Internet é uma festa, não para os carrancudos governantes. Afinal, controlar a imprensa escrita era relativamente fácil e a dificuldade em localizar, isolar e destruir os dissidentes na Internet é maior. Na verdade é literalmente impossível deter a difusão de qualquer informação porque na Internet as pessoas atuam em redes de maneira que quando o Estado anula um dissidente logo aparece outro para ocupar seu lugar e divulgar a mensagem considerada proibida.

Sobre o mesmo assunto recomendo o seguinte artigo:-

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs.asp?id_blog=2&id={837B2483-A901-4A5A-A9EC-E2A405724624}

Fábio de Oliveira Ribeiro

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