REVISTA CRIAÇÃO
TRIPLO X

O filme pretende ser um marco na história do cinema recriando a imagem dos agentes secretos, mas não é tão inovador assim.

Triplo X é uma espécie de Maxwel Smart deliberadamente piorado. Não há diferença qualitativa entre eles. Ambos fazem “tudo errado” e acabam se dando bem. A única inovação é que a proposta humorística do “Agente 86” foi abandonada para o delírio das pessoas que gostam de filmes de ação e de trilhas sonoras radicais.

O melhor do filme está no início. A reação de Cage à proposta de um senador americano que pretende proibir os videogames é realmente interessante. Uma referência nada sutil ao hábito das famílias americanas que o herói pretende preservar. Afinal, os games são a única forma de educação que eles têm, como enfatiza Triplo X.

Mas não se engane. O que parece ser uma reação legítima na verdade atende aos interesses do governo americano. Afinal, os grandes responsáveis pela educação dos jovens americanos para que eles se tornem soldados frios e eficientes (como o próprio Triplo X) são justamente os videogames.

Se você duvida da importância militar dos games deveria prestar mais atenção aos jornais e consultar os sites militares americanos. A US Navy e a US Air Force treinam seus pilotos de caça em simuladores de combate sofisticados. O US Army também adestrar seus pilotos de helicópteros e carros de assalto em simuladores virtuais. O game interativo que simula situações reais de combate que está se tornando uma verdadeira febre mundial foi criado e está sendo distribuído gratuitamente por quem? Pelo US Army é claro.

Nesse contexto, Triplo X adquire uma importância vital. O filme incentiva a violência como única forma de combater a violência. Defende os games que possibilitam um melhor adestramento dos futuros soldados americanos. Alguma dúvida de que ele pode ser considerado uma refinada peça de propaganda?

Goste ou não de violência você deve assistir Triplo X. Ele foi muito bem idealizado. É uma versão atualizada do Triunfo do Espírito, que como todos sabem (ou deveriam saber) é um marco da propaganda nazista e tem influenciado diversas gerações de diretores americanos até os dias de hoje. Além disto, a seqüência do carro caindo da ponte com o personagem principal aproveitando a queda para acionar seu pára-quedas vale o ingresso. Confira.

Fábio de Oliveira Ribeiro

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