|
UM RACHA QUE SÓ OS JORNALISTAS VIRAM
O título
e o tom da matéria sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos
do US, do IG, exemplifica o desgosto da mídia:
"Numa tentativa de contornar a divisão no próprio governo, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República se defendeu das críticas ao Plano Nacional de Direitos Humanos feitas pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, de setores da Igreja Católica, de parlamentares ruralistas e do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. O órgão afirma ter apoio maciço à proposta na Esplanada dos Ministérios, com assinatura de 31 das 37 pastas." Antes de fazer a crítica da matéria convém lembrar algumas lições importantes. Em seu livro JORNALISMO E DESINFORMAÇÃO, o jornalista LEÃO SERVA detalhada os procedimentos através dos quais a imprensa produz desinformação. São eles: omissão, sonegação e submissão da informação. "
“Pode-se chamar omissão a ausência de informação,
de qualquer natureza, causada por falta de condições
do órgão de imprensa de obtê-la." A omissão
é, portanto, uma limitação material ou econômica. “Por
submissão entende-se o fato que, embora noticiado, tem uma
edição que não permite ao receptor compreender
e deter a sua real importância ou mesmo seu significado.”
A submissão pode ser fruto de uma limitação material
desprezada em benefício da divulgação da informação
parcialmente desconhecida. Mas também pode ser fruto de uma
escolha consciente de dar menos ênfase a um assunto considerado
sensível aos interesses do veículo. Além
dos casos de omissão, sonegação e submissão,
a informação pode sofrer deformação. Leão
Serva classifica corretamente a deformação como um caso
extremo de submissão. “Quando a desinformação
gerada por alguns casos de submissão é tão grande
que chega a provocar a compreensão errada da informação,
isso poderia ser chamado de deformação da informação.” Já
a desinformação funcional “...corresponde a um
fenômeno definido pelo fato de que as pessoas consomem informação
através de um ou mais meios de comunicação, mas
não conseguem compor com tais informações uma
compreensão do mundo ou dos fatos narrados nas notícias
que consumiram.” Curiosamente, a deformação funcional
pode ser produzida pela própria imprensa na media em que a
“...necessidade de surpreender e os procedimentos usados pelo
meio para esse fim explicam em parte a existência de tantos
leitores que, embora metralhados diariamente por um sem-número
de informações, nem por isso compreendem realmente a
natureza dos fatos que consomem.” "
Como dissemos no princípio, numa democracia a vontade da maioria deve predominar. Portanto, se o Plano Nacional de Direitos Humanos é apoiado por 31 dos 37 ministérios não há um racha. O que há é uma minoria descontente querendo paralisar o governo e impor sua vontade à maioria dos Ministérios. Esta manobra deveria ocupar o centro das preocupações dos jornalistas do IG. Mas não foi isto que ocorreu. Há ainda um outro problema. A matéria se refere a uma divisão no governo, mas cita membros da Igreja Católica e parlamentares ruralistas. Nós vivemos num Estado Laico cuja constituição prescreve expressamente a separação entre RELIGIÃO e ESTADO. Portanto, a Igreja não faz e não pode fazer parte do governo (muito estranha um jornalista não saber disto). Além disto, os parlamentares ruralistas não fazem parte do governo, mas da oposição. Fiz questão de citar o livro do Leão Serva porque ele foi o Editor do IG por muito tempo. Leão Serva está fazendo falta aquele Portal ou os jornalistas do US desprezam completamente sua obra JORNALISMO E DESINFORMAÇÃO?
|