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“V DE VINGANÇA” E “O ALBERGUE”
“O Albergue” é uma excelente peça de propaganda nestes temos de guerra ao terrorismo. Três turistas, um islandês e dois americanos, atraídos por aventuras sexuais na Europa Central, acabam se tornando vítimas de um negócio obscuro que fornece aos interessados vítimas para tortura. O filme é realmente assustador. As cenas de sadismo são realistas. A satisfação mórbida dos torturadores também é bastante convincente. A mensagem do filme é absolutamente clara. Se você é americano o melhor que pode fazer é ficar em seu país, porque em lugares exóticos como a Eslovênia a beleza das mulheres pode conduzi-lo à dor e à morte. Em “V de Vingança” um personagem mascarado lentamente vai envolvendo toda a população de Londres. Seu propósito não é apenas vingar-se daqueles que destruíram sua vida, mas provocar a destruição do regime político autoritário. A revolução silenciosa cresce e acaba tendo sucesso porque até os próprios membros do governo autoritário são envolvidos e usados pelo misterioso ativista. A teatralidade das ações terroristas e os diálogos sofisticados tornam o filme bastante interessante. É impossível sair da sala de projeção sem a poderosa sensação de que as coisas realmente podem mudar. Muito embora “O Albergue” trate do medo e “V de Vingança” de esperança o ponto de contato entre ambos a maneira como lidam com a realidade. E foi justamente por isto que nos referimos a ambos numa única crítica. “O Albergue” presume que a vida nos EUA é tranqüila, ou pelo menos mais tranqüila do que na Europa, onde o sadismo é uma possibilidade. Uma possibilidade concreta já que a tortura foi largamente empregada pelos regimes fascista, nazista e comunista há bem pouco tempo. A imersão num universo europeu decadente e pernicioso, em que todos os prazeres são permitidos e podem ser comprados, obriga o cinéfilo a concluir que sua própria realidade não é tão ruim quanto parece. Apesar de lidar com um universo mais fictício, “V de Vingança” dá a entender que há algo está podre na Inglaterra e nos EUA aqui e agora. A analogia entre o universo repressivo do filme e o que está ocorrendo particularmente nos EUA é evidente e obtida por intermédio das referências à proibição do Corão e da perversão sexual do bispo. Nestes tempos de guerra ao terrorismo o militarismo tomou conta da política externa dos EUA. A repressão política e policial aumentou assustadoramente dentro do império após Bush II ocupar a Casa Branca. Leis foram aprovadas para restringir as liberdades civis e o Estado todo poderoso prende, seqüestra, tortura e sequer respeita o direito dos prisioneiros à um julgamento justo em que seja garantido direito de defesa. O cidadão pode se deixar dominar pelo medo difundido pelo filme “O Albergue” e considerar que toda e qualquer ação governamental de Bush II desejável ou no mínimo admissível. Mas pode também não resistir ao sentimento de esperança infundido por “V de Vingança” e se dar conta de que precisa fazer algo contra a proposta política que tomou conta dos EUA e da Inglaterra nestes seis últimos anos. No Brasil, a exibição de “V de Vingança” neste momento de indefinição eleitoral é bastante promissor. Particularmente para os que defendem o VOTO NULO como um instrumento de mudança política pacífica e concreta. Sabemos que nosso sistema representativo está podre. Também sabemos que a justiça eleitoral está podre porque tem sido conivente. Tributos que deveriam ser usados em educação e saúde têm sido sistematicamente desviados para campanhas eleitorais cada vez mais caras e mentirosas. A população empobrece enquanto publicitários inescrupulosos enriquecem aos nos impor candidatos corruptos, idiotas e despreparados. A exemplo dos personagens do filme “V de Vingança” estamos cansados deste regime opressivo, em que somos roubados e enganados pela situação e oposição. Também precisamos fazer algo. Então, o que vai ser? “V” de VOTO NULO, de vingança contra todos os partidos, ou “O” de obediência ao sistema podre que os mesmos criaram e sustentam com nosso dinheiro?
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