REVISTA CRIAÇÃO

VOTO NULO: A CRISE É NOSSA ALIADA


Uma avalanche de manifestações contrárias a CAMPANHA DO VOTO NULO tomou conta da mídia recentemente.

No Diário Popular o Jornalista Jayme Copstein afirmou que:


"O Judiciário bem poderia esclarecer esta questão. Mas não o faz por uma simples razão: é que nunca aconteceu e, na prática, as possibilidades de que venha a ocorrer são nulas. Como o Judiciário só atua se acionado e não o será nunca, em vez da resposta, só alimenta mais um mito e contribui para agravar a séria crise em que o país se afoga."


http://www.diariopopular.com.br/18_08_06/ponto_de_vista.html

Até a Veja também publicou matéria o assunto com estudado descaso:

"Na internet, as páginas que pregam o voto nulo como forma de protesto já são centenas. Só o site de relacionamentos Orkut tem quase 400 comunidades dedicadas ao tema. A internet também virou território livre para a difusão de uma tese equivocada: a de que, se o número de votos inválidos superar o de votos válidos, a eleição será anulada. Na semana passada, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio Mello, tratou de desfazer o equívoco. Segundo Mello, essa tese ganhou popularidade em decorrência de uma má interpretação da lei. De fato, o Código Eleitoral estabelece que, "se a nulidade atingir mais de metade dos votos do país (...), o Tribunal marcará nova eleição, dentro do prazo de vinte a quarenta dias". Mas, de acordo com Mello, o mesmo código deixa claro que a expressão "nulidade" não diz respeito à intenção do voto, e sim a eventuais fraudes no processo. Além disso, afirmou o presidente do TSE, o Código Eleitoral estabelece que serão considerados eleitos os candidatos que obtiverem a maioria dos votos válidos ? ainda que estes sejam em número inferior ao total de brancos e nulos. Ou seja, quem escolher anular o voto estará apenas perdendo a chance de optar por um candidato ? e não contribuindo para anular a eleição."

http://veja.abril.com.br/130906/p_042.html

Por mais que queiram desqualificar a CAMPANHA DO VOTO NULO a prova de que ela realmente está incomodando é o tratamento que lhe está sendo dispensado pela mídia. Se a deliberada recusa popular em legitimar os partidos políticos fosse realmente inofensiva, o jornalista do Diário Popular não admitiria que a campanha pode aprofundar a crise. Além disto, a insistência de algumas publicações nas palavras do Presidente do TSE visa desviar o assunto do seu verdadeiro foco. O Marco Aurélio Mello aborda o assunto apenas sob o ponto de vista jurídico fazendo-nos crer que a CAMPANHA DO VOTO NULO não provocaria uma crise, nem aceleraria reformas que as lideranças políticas não pretendem fazer porque seus interesses estão sendo satisfeitos.

Não devemos nem dar crédito a Veja nem atenção às palavras do Presidente do TSE. A CF/88 prescreve que todo poder emana do povo. Portanto, podemos exercer nosso poder independentemente dos partidos políticos. Não somos obrigados a legitimar a roubalheira. Não estamos satisfeitos com as instituições executivas, legislativas e judiciárias. Queremos e podemos provocar mudanças significativas na realidade nacional.

Quem irá dizer que não temos o direito de cuidar do nosso país da nossa maneira? Quem irá nos impedir de VOTAR NULO em todas as eleições que o TSE realizar?

Os políticos falam em Segurança, mas cercam-se de seguranças e andam em carros à prova de balas porque temem a população que prejudicam e roubam consciente e sistematicamente. Prometem Saúde, mas procuram ganhar o suficiente para se tratar no Einsten e no Sírio Libanes porque não confiam nos hospitais públicos que atendem o povão. Falam em Educação e educam seus filhos nas melhores universidades brasileiras, européias e americanas enquanto milhares de jovens brasileiros são analfabetizados no ensino público por professores que ganham salários de fome.

VOTE NULO NO PRIMEIRO TURNO.
VOTE NULO NO SEGUNDO TURNO.
SE O TSE CONVOCAR NOVAS ELEIÇÕES APÓS O SEGUNDO TURNO, VOTE NULO NOVAMENTE.

A crise é nossa única oportunidade para dar um basta nesta "putaria administrativa" criada por políticos que transformaram a roubalheira em "direito adquirido" com a conivência velada do Poder Judiciário.


Fábio de Oliveira Ribeiro

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