VOTO NULO: O MONSTRO DO ESGOTO
“Como vimos neste pequeno trabalho, a leitura da obra de Tito Lívio pode ser bastante ilustrativa. A história de Roma é muito rica, cheia de crises e contradições insolúveis. O crescimento territorial e o amadurecimento político não foi capaz de resolver as disputas entre patrícios e plebeus. A cada iniciativa igualitária dos plebeus, a reação patrícia fazia a cidade retornar à sua tradição de predominância de uma classe sobre outra. Quem conduz ou pretende conduzir os negócios da política e da guerra num país dividido como o Brasil não pode ignorar a experiência romana. Se despertei o interesse do leitor para aquele magnífico livro dou-me por satisfeito.” O Brasil é um legítimo herdeiro da estrutura social bipartida do Império Romano. Há uma classe social que controla o poder estatal e a riqueza e outra que tem acesso limitado ao poder político e econômico e cuja grande maioria constitui a clientela das famílias e cidadãos proeminentes. Pesquisando um pouco mais sobre a sociedade romana descobri que até mesmo a ocupação do solo refletia a divisão social existente na cidade: “De maneira geral, as colinas de Roma eram reservadas aos que tinham meios de ali mandarem construir uma morada individual, fossem eles particularmente abastados, como os habitantes do Palatino, ou pertencessem à parte abastada da plebe, que ocupava o Aventino durante a República. Aos pobres restavam os vales que se estendem entre as colinas, principalmente o do Velabre, situado entre o Capitólio e o Palatino, ao sul do Fórum, e o da Suburra, entre o Vicinal e o Esquilino, ao norte do Fórum” ( OS PRAZERES EM ROMA, Jean-Noël Robert, Martins Fontes, 1995). A literatura romana registra como os patrícios identificavam a plebe, os habitantes dos baixios entre as colinas da cidade, ao esgoto da sociedade. Esta identificação é bastante pertinente. Afinal, antes que a cidade fosse dotada de um sistema de águas servidas, os dejetos produzidos na casas dos patrícios eram levados aos vales ocupados pela plebe. O esgoto literalmente envolvia os plebeus e podia, portanto, se transformar no símbolo da plebe. Nesse sentido, um dos incidentes mais interessantes da história romana é a retirada da Plebe para o monte Sacro. Durante os primórdios da república, cansada de sofrer toda sorte de abusos, a plebe organizou-se e abandonou a cidade indo instalar-se no monte Sacro. Apavorados os patrícios negociaram o retorno da plebe à cidade e aceitaram a eleição de um Tribuno da Plebe. O ocupante deste novo cargo público seria eleito exclusivamente entre os plebeus e teria poderes para conter os abusos dos mandatários eleitos entre os patrícios (Cônsules). Ao subir ao monte Sacro a plebe se igualou política e geograficamente aos patrícios, ou seja, saiu do esgoto. Na república representativa brasileira a grande maioria dos eleitores não tem qualquer expectativa de ter acesso ao poder político e econômico. Usualmente, sua única opção institucional é legitimar os partidos registrados na Justiça Eleitoral. E mesmo aqueles nominalmente de esquerda acabam se desvinculando da população de baixa renda à medida que seus líderes chegam aos cargos públicos e se tornam ricos. A economia romana dependia da conquista de territórios e de escravos. Como a plebe fornecia os soldados para as legiões de Roma, os patrícios dependiam dos plebeus para aumentar sua riqueza e a da cidade. A elite econômica, política e operária brasileira também depende inteiramente de sua clientela eleitoral. Se não forem sufragados os candidatos não tem acesso aos cargos públicos. Se não forem legitimados os próprios partidos deixam de controlar o poder estatal e a sociedade entre em colapso. A conclusão, portanto, é óbvia: a única maneira dos brasileiros serem respeitados é se retirando da república. Os plebeus alcançaram alguma dignidade e representação ocupando o monte Sacro, ou seja, saindo do esgoto. Os brasileiros somente sairão do esgoto se votarem nulo. Monstruoso é aquilo que não faz parte da natureza, que assusta. Nesse sentido, podemos dizer que o VOTO NULO É O ÚLTIMO MONSTRO DO ESGOTO BRASILEIRO. Durante séculos a elite brasileira teve medo de uma revolução operária. Em razão disto, proibiu e sabotou a criação de partidos políticos que não pudesse controlar. Um partido rompeu esta tradição e chegou ao poder: o PT. Mas tão logo se acostumaram aos cargos públicos bem remunerados, os líderes petistas mostraram que são iguais aos outros. Fazem o que é necessário para manter a sociedade funcionando. Como conseguiram revolucionar suas vidinhas medíocres se tornaram burgueses reacionários e conservadores. A decepção com o PT criou as condições para a CAMPANHA DO VOTO. Agora chegou a vez de a população dar um basta nesta “putaria administrativa” em que esquerda e direita disputam para ver quem rouba mais dinheiro público. Durante as próximas eleições faça como fizeram os plebeus romanos, saia do esgoto: VOTE NULO PARA
PRESIDENTE Fábio de Oliveira Ribeiro |