REVISTA CRIAÇÃO

VOTO NULO, SEM MEDO DE SER FELIZ


Segundo a cientista política do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Alessandra Aldé, a campanha do VOTO NULO pode beneficiar candidaturas baseadas no clientelismo e prejudicar o Congresso Nacional:-

http://multimidia.terra.com.br/jornaldoterra/eleicoes2006/interna/0,,OI70638-EI5767,00.html

A referida analista parece não ter captado o verdadeiro potencial político do VOTO NULO. Os partidos políticos existem não porque têm registro na Justiça Eleitoral, mas porque são sufragados. Caso não sejam votados, os partidos perdem sua base de sustentação e, portanto, o fundamento de sua própria existência.

Os devaneios e desmandos que tem ocorrido tanto no Executivo quanto no Legislativo são de responsabilidade dos partidos políticos. Nenhum dos que aí estão tem interesse de se reformar, de provocar reformas administrativas. Enquanto os partidos continuarem a ter votos, seus caciques obterão e utilizarão o poder político para se perpetuar à frente das legendas e, portanto, das máquinas de arrecadação de fundos partidários. E não haverá reformas legislativas e administrativos de monta enquanto os caciques partidários municipais, estaduais e federais continuarem garroteando as agremiações partidárias.

Como a população em geral não está em condições de interferir na vida dos partidos, a única maneira de afetar-lhes a existência é se negar a votar neles. É justamente aí que o VOTO NULO entra como um legítimo instrumento de negação dos partidos, da liderança dos caciques e da preservação desta ORDEM que impede o PROGRESSO da maioria da população brasileira.

Esta história de que o VOTO NULO provocará a eleição de candidaturas baseadas no clientelismo e, no mínimo, absurda. O clientelismo é um fenômeno que existe no Brasil desde os tempos da República Velha (1891/1930). A prática se manteve em estado latente durante o Estado Novo (1930/1946) e renovou-se no Estado Liberal (1946/1964). A Ditadura Militar (1964/1988) lançou mão do clientelismo para conservar o poder e esta tradição foi preservada pelos artífices do Liberalismo Oligárquico (1988 até os dias de hoje).

Na verdade, a única maneira de colocar um fim no clientelismo é justamente provocar a destruição destas agremiações partidárias que incham o Estado de parentes e amigos e não tem nenhum compromisso com a eficiência do serviço público. Como a violência está fora de cogitação, rejeitar todas as legendas que controlam o Estado é uma forma de provocar o colapso e renascimento do mesmo. Para fazer isto pacificamente só podemos recorrer ao VOTO NULO.

Tudo bem pesado, a analista política em questão certamente é comprometida com algum partido político. Se não o fosse porque deixaria de reconhecer a importância da campanha do VOTO NULO?

Fábio de Oliveira Ribeiro

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