VOTO
NULO:
Recentemente, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Marco Aurélio, deu uma entrevista abordando aspectos jurídicos do VOTO NULO. Entretanto, todos nós sabemos que a questão jurídica é irrelevante. Os militantes da CAMPANHA DO VOTO NULO estão interessados nos reflexos antropológicos, sociológicos e políticos do movimento. A deliberada recusa de legitimar os partidos e paralisar o Estado transforma a população no maior protagonista de sua história, acelerando as reformas que os “donos” dos partidos e do Estado não pretendem fazer porque seus interesses estão sendo satisfeitos. A Ordem dos Advogados do Brasil é uma instituição criada para selecionar, defender e punir advogados. Portanto, não tem qualquer legitimidade para dizer aos brasileiros o que eles devem ou não fazer de seus votos e do seu país. Aliás, quando se manifesta sobre temas políticos a OAB não conta com o apoio da maioria dos advogados. Na verdade nem mesmo os advogados são consultados pelos presidentes da OAB em razão do ?centralismo burocrático? da entidade. A CF/88 prescreve a separação entre o Estado e a Igreja. Os membros da CNBB não podem, portanto, interferir em assuntos não confessionais. Os bispos católicos, que não são nem eleitos pelos católicos nem tem o direito de influir nos destinos de protestantes, budistas, evangélicos, espíritas, umbandistas e ateus, deveriam cuidar de suas paróquias. Ao invés de lutar contra o VOTO NULO, deveriam lavar os pés dos católicos pobres e não tentar manter um Estado que fabrica miseráveis. Escolhi a foto acima para ilustrar este texto por razões simbólicas. Em seu livro O Leviatã, Hobbes compara o Estado ao ?grande homem?. O leviatã brasileiro está doente e corrompido e o VOTO NULO é o medicamento que será introduzido no seu reto (e no reto das autoridades que ignoram a maioria da população).
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