REVISTA CRIAÇÃO
 

A LENDA DO ZORRO

Os produtores e roteiristas procuraram americanizar definitivamente a lenda do fora da lei californiano Joaquim Murieta, que historicamente simbolizou a resistência à ocupação Anglo-Americana do território mexicano (http://en.wikipedia.org/wiki/Zorro e http://en.wikipedia.org/wiki/Joaquin_Murieta). Para tanto ambientaram a trama no momento em que os mexicanos teriam votado pela união da Califórnia aos EUA

.

A LENDA DO ZORRO passa a imagem dos EUA como um país comprometido com a liberdade e democracia. O herói popular mexicano se identifica com estes ideais ao lutar em favor do voto livre dos mexicanos. Além disto, Zorro mostra-se favorável à integração da Califórnia aos EUA.

O vilão é um nobre europeu que pretende explorar os pobres mexicanos e criar as condições para a secessão dos estados sulistas. Após uma série de peripécias improváveis, Zorro salva sua família, possibilita a livre escolha dos californianos e impede que os militares sulistas tenham acesso aos explosivos que poderiam dar-lhes a vitória na guerra civil que está por vir.

O filme é historicamente lastimável. As peripécias improváveis realizadas por Antonio Banderas são menos interessantes do que a intencional deformação da história do México e dos EUA.
Durante a guerra de independência do México, o exército americano ocupou uma extensa área do território mexicano a propósito de proteger interesses de alguns poucos fazendeiros americanos. Quando a guerra acabou, os americanos resolveram “comprar” aquela área parcialmente colonizada por americanos. Combalido o México foi praticamente obrigado a ceder 1/3 de seu território para o vizinho porque não tinha condições de se opor militarmente à pretensão americana. Portanto, ao contrário do registro cinematográfico, a Califórnia foi militarmente anexada e os californianos não votaram livremente pela união aos EUA.
O filme registra um suposto interesse europeu na destruição dos EUA. O anacronismo é evidente. Na época os EUA eram econômica e militarmente insignificantes se comparados à Inglaterra ou França. Em meados do século XIX as potências européias estavam preocupadas em manter e ampliar suas colônias. Além disto, as rivalidades entre as mesmas eram mais importantes e interessantes do que os destinos de um distante país cuja política externa era não se envolver em conflitos na Europa.
Os Estados europeus não tiveram qualquer papel relevante no princípio da guerra civil americana. Este conflito foi fruto de duas tendências antagônicas irreconciliáveis em solo americano. Os estados do sul tinham sua economia baseada na agricultura e na mão de obra escrava. Os estados do norte estavam em franco processo de industrialização e modernização. Quando os nortistas tentaram impor seu modelo aos demais estados com a abolição da escravatura o resultado foi a guerra civil americana.

Fábio de Oliveira Ribeiro

LITERATURA TEXTOS LITERARIOS MITOLOGIA CINEMA CIBERCULTURA OUTROS ESCRITOS
>>A CRIAÇÃO
 
>>Literatura
>>Textos Literários
>>Colaboradores
>>Mitologia
>>Cinema
>>Cibercultura
>>Humor
>>Outros Escritos
>>Fotos
>>Contato
>>Web Master